terça-feira, 15 de maio de 2012

"Ser Mestre é padecer no paraíso - II"


- Eis que com a batalha encerrada, vocês têm de escolher um dos dois caminhos, direita ou esquerda, da Dungeon dos Uivos perdidos.

 - Eu quero ir atrás do vilão! 
- Eu imaginei... Mas ele estava voando e vocês não voam. 
- Eu vou lançar um encantamento de levitação para voar! 
- Você tinha sete encantamentos de levitação. Usou para levantar as rochas que obstruíam o caminho da caverna e depois para
levitar as rochas para arremessar nos vilões. 
- Então... Só usei duas! 
- Eram três rochas que você levitou na porta. Depois, mais quatro rochas para arremessar no vilão.  
- Mas meu encantamento atinge múltiplos alvos! 
- Não, não atinge. 
- Quem disse?
 - Bem, todas as mídias conhecidas pelo universo, o livro de regras, a lógica... Mas o mais importante desses todos: O narrador.
- Mestre... Olhe a pressão!
- Okey... vou me acalmar. Não quero voltar para a clínica. 
- Mas eu ainda acho que deveria ter mais feitiços de levitação. 
- Foram sete rochas! Gastou sete feitiços!
- Mas as quatro que eu levitei para jogar nos bichos no encontro aleatório não tive oportunidade de jogar!
 - Claro! Porque você gastou quatro turnos para lançar o feitiço. Ao invés de lançar em uma e depois arremessá-la contra um alvo e só depois partir para outro, você ficou levitando todas as rochas que podia! 
- Mestre...
- ... E ainda queria levantar CINCO! 
- Olha a pressão!
- ... E se você se recordar, eram só três os vilões.
- Tá! Ele não tem mais magias de levitação! Ficou defeso isso!
- Bom.
- Hmp... Eu tinha um feitiço de mover pedras. Poderia ter movido pedras se eu quisesse...
- Galera, peguem leve com o narrador! A saúde dele está debilitada.
- Certo. Onde estamos mesmo? Na encruzilhada... 
- Ainda? Estamos nessa encruzilhada faz meia hora!
 - Por mim eu já estava em casa, mas para vencer a encruzilhada, vocês tem de optar por ir pela direita ou pela esquerda.
- Se acabaram meus feitiços de levitação, quais me restam? 
- Bem... Os de transformações infinitas.
- E quantas me restam? 
- São infinitas! Nunca acabam.
- Beleza! Vou me transformar num rato! 
- Hmm... boa! Você tem os sentidos de um rato agora. Sente pelo olfato que o caminho da esquerda é o mais usado.
- Ei! Eu não disse que ia fazer isso!
 - Eh... Tá... Mas você sente isso.
- Agora me transformo num rinoceronte!
 - Hãã... por quê?
- Porque rinoceronte é melhor para a briga que um rato! 
- Não tem briga agora.
- A-ha! "Agora"! Quer dizer que terá briga mais na frente! Vire um rinoceronte mesmo!
 - "Uff" certo. Você se transformou num rinoceronte.
- Ele pode me ajudar a ir atrás do vilão que fugiu voando? 
- Olha, em off, mas valendo aqui: O vilão que fugiu ultrapassa a velocidade do som e tem inúmeros esconderijos pelo mundo. E em on, eu pretendo usar mais á frente na campanha. Já o botão de autodestruição, que está na passagem da esquerda, tem um timer que está perigosamente perto do fim, que precisa ser apertado agora. 
- Como vamos confiar que a Esquerda é a saída? 
- O rato farejou.
- Mas ele é um rinoceronte. Ele nunca se destransformou. ratos não falam e Rinocerontes não farejam!
 - Eu estou dizendo!
- Mas foi em off. Não vale. 
- Ah, lembrei de uma coisa. Tem um mapa.
- Um mapa?
- Sim, na parede. Mostra do lado esquerdo um caminho reto para uma sala escrita "sala do botão de autodestruição", e ha várias outras salas escritas "armadilha mortal" "Caminho inútil" e "morte instantânea"!
- Eu vou me transformar numa ave que possa voar e ir atrás do vilão. 
- Okey... qual ave?
- Quais aves eu posso me transformar? 
- Qualquer ave que exista na nossa fauna.
- Alguma delas voa com pessoas adultas? 
- Não. Não existe isso.
- Posso me transformar numa versão maior de uma ave, o bastante para voar com ele? 
- Eu já pedi que esquecesse o vilão!
- Mas o cara vai ser uma ameaça em longo prazo! Você falou!
 - Mas foi em OFF!
- E daí? É RPG! Não somos limitados a ir para a direita ou para a esquerda! Quero voar atrás do cara! 
- Okey, você pode. mas não pode carregar o seu colega.
- Mas minhas transformações são infinitas! 
- ...Mas não ilimitadas!
- Posso me transformar em um dragão?
 - Não, você não pode. Dragões não existem.
- Mas enfrentamos um ontem!
 - Foi num cenário de fantasia, onde dragões existem! E COM OUTRO MESTRE!
- Mas já mata seu argumento que dragões não existem.
 - Quer saber? Querem ir atrás do vilão? Ele surge aí. Ele esqueceu as chaves do esconderijo secreto e voltou para pegá-las! Eis sua chance de bater nele e poder seguir para a passagem da esquerda!
- Ué? Não queria poupá-lo para usar depois?
- Mudei de idéia.
- Mas e a campanha?
- Digo que ele era peão de outro, um irmão gêmeo que vai seguir com os planos de onde o irmão parou.
- Bem, agora vou matar ele.
- Peraí... melhor capturarmos para usarmos contra o irmão gêmeo dele!
- AIMEUPAI! Vocês não sabem do irmão!
- Como não? Você acabou de falar! 
- FOI EM OFF!
- Mestre... olha a pressão!
- Eu tô me enchendo com esses "olha a pressão"! Seu personagem tá aí faz horas e não fez nada! Entra no jogo!
- Ih, sobrou para mim foi?
- Vou me transformar numa cafeteira! 
- Eh, o que?
- Transformações infinitas me permite transformar em objetos inanimados. Eu me transformo numa cafeteira, e aí ele que quer prender o cara me arremessa nele.
 - E porque não se transforma numa arma de arremesso? Melhor: Agora aproveite que se transformou em um rinoceronte!
- Porque ele não esperaria ser atacado por uma cafeteira! 
- Eh, não posso argumentar com esta lógica.
- Eu arremesso a cafeteira.
 - Okey. Ele tomou uma... "cafeteirada" ... na cabeça. Isso o machuca e queima. Ele então percebe que está lá e começa a tentar voar de novo.
- Como ele sobreviveu à cafeteira? 
- É ... Um objeto pequeno e não-apropriado para ser usado como arma. Não é o suficiente para derrubar um vilão como esse.
- Mas cafeteira não são pequenas! E aquela do hospital? 
- Aquela ... Ah, é uma máquina de café! não uma cafeteira!
- Eu estava pensando naquela!
- Não, pense numa cafeteira industrial da Nestlé! Deve ser do tamanho de uma casa!
 - Você não pode mudar a ação após ter agido! E... Como é que você sabe que existe cafeteiras do tamanho de uma casa na Nestlé?
- Pô! É a NESTLÉ! Deve ser assim! 
 - Uma cafeteira do tamanho de uma casa aparece. O outro herói não consegue ergue-la, e chama a atenção do vilão. Ele vai embora.
- Eu sigo. 
- Ele voa e... Okey, ele decidiu fugir a pé. Está a seu alcance.
- Eu volto para ver a encruzilhada de novo. 
- MAS ... MAS... 
- Mestre... olha a pressão...
- Okey. Voltando à encruzilhada... 
- Eu me transformo em um clone. 
- Eh... Sei que vou me arrepender de perguntar, mas porque um clone?
- Eu tenho um plano. E eu devo poder me transformar em um clone, ou não? 
- Poder pode... Mas clone de que?
- De... Mim... Mesmo! 
- Mas você já é você mesmo!
- Mas quero virar um clone meu! 
- ooookey. Aos olhos de vocês o mago transformista volta ao normal, mas na verdade, ele é um clone de si mesmo.
- Legal! Agora sou duas pessoas! 
- Hãã... não, não é não.
- Pense comigo: Se eu sou um clone meu quer dizer que há um "eu" de quem eu deveria ser clonado, logo, somos duas pessoas! 
- Mas não surge uma pessoa só porque
- Clone o seu clone infinitamente e você dá aquele golpe de Naruto!
 - Do que está falando? Eu não assisto. O que...
- Boa idéia! Clone a mim também que aí todos nós seremos um exército!
- Meu pai Eterno! Isso não vai funcionar!
- Só sabemos se tentarmos! 
- Okey, okey. Vocês tentam e não funciona. 
- Eu acho que ainda dá para perseguir aquele vilão fujão... 
- Galera... A montanha explodiu.
- Como?
 - Tô olhando meu relógio aqui e vi que a montanha explodiu. Vocês não detiveram o contador a tempo.
- Pera lá... a gente não passaria tanto tempo assim sem agir...
- Não passariam, mas passaram. 
- Qualé mestre. Aí é apelação! Não nos deu uma chance!
 - Ta certo... Foi só um, sei lá, um teaser do próximo filme-catástrofe que vai estreiar.
- É o 2012? 
- Deve ser. Não me importo mais.
- O 2012 não é porque já estreiou ontem.
- De onde veio a TV com esse teaser?
- Era onde mostrava o mapa... Ele dá refresh com teasers.

- Esse filme parece bom? 
- Eu juro que estava zoando quando falei... Mas , okey, é o melhor.
 A gente deveria assistir. 
- Como? Agora?
- Não tem uma cidade por perto?
- Sim, aquela que vai explodir se vocês não entrarem na passagem da esquerda, coisa de meio metro de vocês, e apertarem o botão de autodestruição!
- Acho que dá tempo... Tínhamos uma hora! 
- Sim, quando começou a partida! Isso inclui toda a palhaçada de jogar pedras com feitiço de levitação, perseguir o vilão, desistir de perseguir, o vilão chegar, transformar em uma cafeteira gigante, perseguir o vilão de novo, desistir da perseguição. Inclua aí o deslocamento até a cidade, e mais DUAS HORAS DE FILME!
- E os trailers.
- Sim... E os trailers.
- Sei não. Ainda acho que dá tempo. 
- Pessoal! Só o filme tem duas horas! O DOBRO do tempo que vocês acham que tinha!
- Nunca vamos saber se não tentar, não é?
 - Okey... Filme então. Vocês viajam uma hora inteira desde o coração do labirinto até o cinema da cidade... Mas dá tempo.
- Er, mestre... tá escorrendo sangue do seu nariz. 
- O filme é muito belo. Tem borboletas e flores coloridas para todo o lado.
- pessoal, ele tá com um olhar perdido.
- Daí começam as explosões, a adrenalina! O Mocinho e suas façanhas incríveis.
- Eu... vou ligar para a ambulância. 
- E aí chega o vilão do filme.
- Eu me transformo num alienígena!

"Ser Mestre é padecer no paraíso"

Baseados em eventos presenciados em PBEMs da vida.
Original: Outubro de 2005.

"Enfim os bravos cavaleiros seriam recebidos pelos reis se passassem pelos desafios que aguardavam atrás das portas. O místico do grupo adianta-se à porta e...”.

- EI! ei! - reclama o player que interpretava o Místico. - Meu personagem nunca adianta-se a nada.
- Bem... você quer que outro abra a porta?
- Não... serei eu! mas não "me adianto" a ela. 
- Mas como pretende abrir a porta então sem ir a ela?
- Eu vou à porta... mas não me adiantando! Meu personagem é um dos cinco magos da fabulosa ordem que eu inventei! Ele "caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a maçaneta"!

O Mestre balança a cabeça.

"O Místico caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a ..."

- Parôparô! - grita o tecnocrata arcano. - Não abra a maçaneta! É isso que os reis querem!
- Hã? - fala o mestre espantado.
- Os reis querem que passemos por esses desafios, então, há algo estranho...
- VOCÊS querem a audiência com os reis! Não eles com vocês!
- Está bem... Mas eu tive uma idéia: Eu tenho toque de energia e uma luva de pelo de urso albino bisurado. Eu uso a luva e Toque de energia para ouriçar os pelos à minha frente, enquanto aproveito e uso todas as minhas demais vantagens simultaneamente para parecer que estou mais à frente do que estava... então, é melhor eu abrir a porta.

- Okey... 

"O Místico ouve a teoria paranóica do Tecnocrata com"...

- Ei! ei! Meu místico não ouve teorias! 
- Eh... o problema é com a palavra "teoria"? Foi uma romanceada que eu...
- Não... é a palavra "ouvir" que não gosto.
- Eu não vi na sua ficha que ele seja surdo...
- Mas qualquer um "ouve". Ouvir é vulgar. Ele... (folea o dicionário) contempla! Isso. Seus sentidos são tão especiais que ele contempla com os ouvidos o que lhe é anunciado.

- Contemplar é com os olhos, porque... ah, Esquece...

"O Místico contempla a teoria do tecnocrata, que toma a liderança do grupo. Ele então..."

- Meu personagem pergunta "Ei! O que é porta?".

- Hã?

- Meu personagem é metaliano lembram? Ele nunca viu uma porta. Viaja no interior de naves vivas que usam válvulas entre compartimentos.

- Você deve ter visto pelo menos uma dúzia de portas entre esta cidade e a anterior. porque cismou nesta agora?

- Porque ele não conhece o mecanismo e precisa conhecer se vai viver nesta realidade ... por hora.

- Considerando que ele não tem "inculto", e possui Int divina, acho que mecanismos mecânicos simples sejam compreensíveis... ainda mais após o transplante de medula óssea que você procedeu ha pouco (e que não sei porque eu permiti)

- Mas olha que roleplay legal... ele desconhece a Porta!

- Okey dokey... 

"A Bondosa NPC do grupo (que eu não ouso tirar para alguém falar a coisa certa na hora certa) explicava para o Metaliano o que era uma porta, e nesse ínterin, o Tecnocrata gira a maçaneta e..."

- Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça pois com nossa missão de chegar ao fim dos desafios entraremos em contato com os reis negros que precisamos contatar para seguir à próxima etapa com a bênção de meu deus patrono jerimum e de toda a corte celestial do Monte Phyton não desistam nunca pelos poderes do Jerimum!!!Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça!

- Hãã... o que foi isso?

- Foi uma coisinha que meu paladino druida falou no meio-tempo em que o tecnocrata mexia o braço e o exato momento em que ele tocou na maçaneta.

- Ele respirou em algum momento?

- Não! Só se aparecesse algum NPC respeitoso que deveria nos dar alguma informação, aí ele daria um apelido maldoso como se quisesse perder o único aliado possível em todo o reino.

- Bem... Não... apareceu ninguém.

- Então, só posta o que ele falou...

- Ele é druida mesmo? eu nem lembrava.

- É sim... mas dedica-se mais ao seu cargo de paladino.

- Tá certo.

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo contemplado pelo místico..."

- Ei! ei! meu místico não contempla isso não!

- Mas... VOCÊ me corrigiu dizendo que seu místico não ouvia e sim contempla...

- Mas aquilo era para teorias absurdas! Verborréia de paladino são... (foleia o gibi do Garfield) "presenciados auditivamente!".

- ... e o que ele faz perante ofensas grosseiras à mãe que o pariu?

- Hein?

- Esquece...

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo presenciado auditivamente pelo místico... O Ladino do grupo encara o ato temerário do Tecnocrata"...

...¬¬...

- Ouviu "ladino"?

- Hã?

- O Tecnocrata está prestes a abrir uma porta sem verificar armadilhas.

- ... Eu tava distraído... o que houve?

- Isso que eu disse.

- Ah, tá... vou usar meus talentos ladinos ... para ficar invisível.

- Hã?

- Não! - grita o metaliano. - Eu vou ficar invisível antes dele...

- Tá... ficamos invisíveis.

- ... continuamos.

"O Tecnocrata começava a girar a maçaneta potencialmente perigosa e que se algum ladino checasse armadilhas e encontrasse alguma o mestre seria obrigado a dar XP de graça... e então..."

- Ei! para que essa pausa grande?

- Para caso alguém com talentos de ladinos queira interromper.

- Eu tenho talentos de ladinos, mas ... nhééé... fico na minha.

- Tem certeza que não quer por em prática seu "procurar armadilhas"?

- Eu checo! - fala o abaforado (sim, eu tb foleio revistas do Garfield) Metaliano. - Eu quero procurar armadilhas.

- Eh, mas você não sabe nem o que é porta!

- A NPC me explicou. Agora eu uso meu conhecimento de porta e minha inteligência metaliana para destrancar a porta.

- Bem, Como você não é ladino e a NPC é incapaz de falar tanta coisa em espaço de tempo quanto o Paladino Druida do Jerimum, se não encontrar é mais provável que seja porque você é incapaz de reconhecer uma armadilha, e não que não tenha armadilhas, entendido?

- Claro! - fala o metaliano orgulhoso.

- Hm.... Você não encontrou armadilhas.

- meu personagem fala pro Tecnocrata: "Com certeza absoluta não tem armadilhas nenhuma nessa porta"...

- "Ai!"... Bem, é isso que seu tecnocrata ouviu...

- Então... - fala o Player do tecnocrata. - Abro a porta de vez para não ouvir outro discurso do Paladino...

- Espera aí que eu quero falar mais...

- tarde demais, "Jerimum". - fala o mestre.

"O Tecnocrata abre de vez a porta e é atingido pela armadilha de dardos venenosos".

- Ah é... Fora essa aí... - resmunga o metaliano.

- Parôparô! - interrompe o tecnocrata. - Minha luva possui pelos eletrizados sensíveis a deslocamento de ar! Eu deveria perceber a vibração dos dardos e testar uma "Esquiva Matrix"!

- Eu quero usar meu Focus 9 em madeira para empenar a madeira dos dardos para não furá-lo.

- ô Metaliano... Foi uma ação muito rápida!

- Ah! Qualé! Eu coloquei Focus 9! Eu posso fazer TUDO com madeira! Até ganhar dela em velocidade!

- Hã... Meu ladino vai desarmar a armadilha!

- Tarde demais! Vejam o que aconteceu:

"Como a maçaneta era de metal, eliminou a eletricidade estática da luva do Tecnocrata que perde seu direito a testes de Esquiva Matrix. O Metaliano tenta envergar a madeira dos dardos, mas descobrem que eles são feitos de prata, e não possui focus em prata, o que é irônico para um Metaliano. O Tecnocrata, ferido, esbarra no Místico..."

- Ei! Meu místico nunca é esbarrado! Ele olha por cima dos ombros, e é tocado involuntariamente, numa panca muito legal.

"... como eu dizia, é ESBARRADO, mas ESBARRADO com gosto, sem nenhuma pompa ou direito de teste de pose 'nice guy', caindo numa poça de lama particularmente imunda, e contraindo uma verminose que lhe provoca diarréia instantânea! Digna de moleque subnutrido! O Paladino morde a língua e morre envenenado com o próprio veneno druida, e a NPC que servia de bom senso para os PJs ganha o bom-senso de sair de perto desse bando de malucos!"

Todos encaram o mestre nada amistoso, bufando como um cão furioso.

- Tá... e o que tinha depois da porta?

- Antes: Meu ladino procura armadilhas na porta!

sexta-feira, 23 de março de 2012

0 Pulo do Gato

Dentre os felinos o único que salta para trás é o gato. Ele e o tigre são primos. O tigre tinha a maior gana de comer o gato, mas não sabia saltar de nenhuma maneira. Pediu ao gato que lhe ensinasse. O gato ensinou-lhe todos os tipos de saltos. Pra frente, pro lado, enviesado, dar cambalhota no mesmo lugar, etc. O tigre aprendeu tudo direitinho e treinou bastante sempre visando comer o gato.
Um certo dia o gato estava distraído e o tigre pensou é hoje que ele vai pro papo. Se aproximou pela frente pra não ter escapatória. Na hora que deu o salto fatal o gato deu uma cambalhota para trás e escapou das garras do tigre. O tigre então reclamou: pô esse tu não me ensinaste...! E o gato respondeu: se tivesse te ensinado nessa hora eu estaria morto.
Daí surgiu então o fato que ninguém ensina o pulo do gato.

Fonte: Dicionário Urbano

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Saga cósmica de Infinitoº

Antes de começar a escrever mais focado no ULTIMATO, eu usei Infinito em campanhas do Orkut. Mas o Infinito Orkutiano ( doravante chamado "Infinitoº" ) era bem diferente.

Primeiro, porque o grande diferencial dele no cenário normal é ser infantil e imaturo no meio dos "fodões" do cenário... Enquanto TODOS eram infantis e imaturos no Orkut. E seus personagens também. Então, dei a ele alguns anos, uma postura mais depressiva e séria. Justifiquei que foi talhado pelas experiências e conflitos mesmo entre heróis ao longo dos anos.

Segundo, porque teve a Saga Cósmica.

Eu fiquei coisa de um ano longe do Orkut, e quando voltei, vi que muito havia acontecido por um tempo, e depois estagnado. Decidi Narrar algo para reacender a coisa (e deu certo um tempo) e explicar onde Infinitoº esteve em minha ausência. Mas para que eu simplesmente voar até o QG e contar uma histoprinha regada a guaraná e pão de queijo se eu posso enviar uma nave de guerra encabeçando uma invasão alienígena?

A Belonave (clique para ler)

 O NORAD é brutalmente atacado. Uma gigantesca estrutura voadora seguida de alienígenas com cara de morcego, guiando serpentes bestiais cuspidoras de plasma tomam o lugar. Mas o mais assustador é que a nave tinha um formato familiar, o símbolo de um herói ha muito desaparecido.

Depois de uma breve batalha, e ao custo do veículo dos heróis, a nave invasora é derrubada. Sua tripulação começa a pegar pesado, e é hora de invadir... E então, em um pomposo lugar chamado de "sala do Trono", eles encontram ele.

Infinitoº estava de cabelos raspados, e uniforme ligeiramente diferente. O misterioso trono parecia drenar sua energia e direcionar ao veículo. Com uma análise melhor, percebe-se um misterioso gel que emitia ondas telepáticas, mantendo-o em um estado de letargia. O Herói azul deve ter permanecido daquela forma por semanas!

Com seu restabelecimento, Infinitoº devolve à vida o computador da nave, e juntos, os malditos alienígenas são derrotados. Infelizmente, o líder Arkine foge... Esse líder que possuía vendeta pessoal.

AGORA, regado a coca-cola e coxinha de galinha, Infinitoº conta onde esteve no último ano.

Federação de Betelgeuse (Clique para ler)

Não estamos sós (se bem que muitos dos heróis eram de natureza alienígena). Mas Betelgeuse era uma poderosa federação que concentrava as raças mais comumente avistada por ufólogos malucos (fora o Chupacabra). E eles estão em um violento pós-guerra, ante uma raça particularmente belicosa chamada Mantha.

Infinitoº foi à Federação originalmente por seu poder ser capaz de provocar dobras espaciais 9nem ele sabia disso) e ele poderia levar o ET de Varginha para casa... Acabou ficando e chegou a ser capitão de frota, e sua mentalidade vingativa e humana permitiu o triunfo dos até então racionais aliens.

Mas tudo indicava que Arkine, antigo líder diplomata e espião, estava instigando a guerra, e buscava recursos saqueados da Terra para rearmar os Manthas... Não esquecendo seu ódio por Infinitoº. Se pudesse subjugar o mundo e jogar o nome do capitão da Terra na infâmia, seu triunfo seria perfeito.

A Cidadela Mantha (clique para... Ah, a esta altura, já entenderam)

Infinitoº conclama uma reunião das raças de Betelgeuse e mais um corpo diplomático terráqueo para discutir a retirada de Manthas da Via Láctea. Mas também buscavam meios de perseguir Arkine. Para isso, os heróis foram à cidadela Mantha em Júpiter.

Contudo, o maligno Arkine já esperava isso. Durante a batalha no NORAD, conseguiu amostras de DNA de heróis da Terra para simular um atentado, jogando Betelgeuse contra a Terra.

No final, desnecessários, já que um dos heróis mata a sangue frio um embaixador (ver

Quadrinhos) Felizmente, ao desmascarar Arkine, ele acaba levando mais esse ato infame na conta.

Mais sobre os Manthas

Durante sua busca pela Cidadela, tanto Infinitoº quanto os heróis descobrem mais sobre os inimigos. Sua curiosa estrutura alien, e como se defender dela no futuro.

Buscando informações, e descobrindo os benefícios políticos de um "Campeão da Arena de Sangue" - um bárbaro duelo entre o Mantha mais poderoso e um desafiante - os Heróis solicitam o desafio. Infelizmente, eles não sabiam que durante a Guerra de Betelgeuse, Infinitoº teve a mesma ideia e era agora o Campeão da Arena de Sangue.

Para não ter de lutar até a morte contra seus aliados, Infinitoº se rende, aceitando a humilhação aos olhos da Federação, sendo expropriado de seu título e suas posses. Incluindo a Belonave. Um sucesso parcial de Arkine. Felizmente, o veículo não funcionava sem a presença do herói na Sala do Trono, então, os Mantha não poderiam voltar a usá-la... Aparentemente, ao menos.

Sensibilizado pelo sacrifício, o embaixador guerreiro dos Gray ordenou a construção de uma segunda Belonave, que serve aos heróis daquele universo como base de apoio e satélite de monitoramento de atividades Mantha.

Conto: Nasce o Amanhã (não cliquem se não quiser ler)

Um dos vilões corriqueiros do Infinito do Orkut era o "Infinitoº do Amanhã" (ou só “Amanhã”). Quando surgiu pela primeira vez, alegava ser o herói num futuro próximo, mas posteriormente foi desmascarado como um mero clone.

Se "clone do futuro" já era um conceito que fazia desse antagonista um adversário bizarro, a revelação de que os Manthas o criaram torna a história ainda mais caricata!o clone alienígena do futuro!
Alguns conceitos podem ficar perdidos sem conhecimento prévio das sagas do Orkut. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

... O que anda faltando á juventude

Hoje, na verdade, ha minutos atrás (08:54 de 10/11/11), fui ao banheiro da empresa. Lá, estavam dois senhores conversando. Eu lembro apenas de um, e não havia visto o outro. Ouvia sua voz, e a pessoa constatada respondia, então supus que estava em uma das cabines sanitárias.

Conversar em banheiro era estranho, ainda mais um na pia e o outro no vaso. Mas relevemos: 


Eu não estava prestando atenção no momento. Mas pelo que pude entender, alguém (filho de amigo ou parente, imagino) entrou numa briga durante uma festa e terminou até com perseguições em cidades no interior, com o protagonista escondido em uma velha fazenda e o perseguidor empreendendo rondas vingativas!


Arrependi-me de não ter prestado atenção... Parecia um ótimo filme de suspense!


Bem, a conversa foi longa... Eles já estavam conversando quando eu cheguei, procedi o ritual do "nº 2" e a higienização, e ainda contavam da história, pausando para seu juízo de moral.


Mas eles ganharam minha atenção com uma frase, dita pelo homem na pia quando seu companheiro encerrava a história:


- Isso tudo é falta de Jesus! Se ele estivesse na igreja, orando, ao invés de bebendo em festas, isso não teria acontecido!


Fiquei impressionado pela conclusão! Sob essa ótica, eu poderia dizer que também é falta de sexo com bisões albinos! Se o pobre desventurado estivesse fazendo sexo com um bisão albino ao invés de bebendo em festas e arranjando brigas, Também não precisaria estar foragido dos perigosos encrenqueiros!


Lavava as mãos e vislumbrei o segundo participante da saga. O seu companheiro comentarista permanecia no banheiro a divagar sobre o que saiu errado com a juventude para chegar nesse ponto. A juventude de hoje que, nas palavras dele, "ganha carros mas não ganha limites". 

Agora é culpa dos carros. 


Eu não sou de conversar em banheiros... Bem, de permanecer em um banheiro conversando. Mas lavei mais demoradamente ao perceber que o comentarista iria narrar uma parábola de sua conclusão:


- Um amigo meu, que é guarda municipal, mas é um bom e calmo sujeito cristão...


*

interrompo um segundo:
"mas"? Na voz passiva ficaria Um amigo meu, que é um bom e
calmo sujeito cristão, apesar de ser guarda municipal...

Por que é que um tem de ser excludente da outra? Não sabia que guardas municipais costumavam a ser malignos e estourados satanistas...

... segue.


*

- ... Bom e calmo sujeito cristão, abordou um jovem que estava fazendo alguma coisa errada. Ele falou: 'Cê sabe que é errado o que você fez aí'. O jovem disse: 'Sei. E daí'? 'Daí vou ter de aplicar uma multa'. 

*

Deduzi que a "coisa errada" era referente a trânsito, considerando que começou com
"dar carros e não dar limites" e cuja pena é uma multa. 

Imagine se o bom e calmo guarda municipal estava assistindo um jovem
fazendo sexo com bisão albino?


*

- 'daí vou ter de aplicar uma multa!'. O moleque disse: 'Pode dar. mas você não tem peito de ferro!'


Os dois fizeram cara de horror.


- Aí meu amigo respondeu: 'Não tenho, e você não tem também'.

Imagino um bom e calmo sujeito cristão aceitando esse duelo mexicano. 

Bem, não estava confortável lavando as mãos até os ossos, então saí e não vi o desenrolar da trama do bom e calmo guarda de cristo contra o moleque que tinha carro mas não tinha limite nem peito de ferro. 

Decidi compartilhar com vocês pelo assombro, não por crítica a religiões ou coisa assim. Parei ha algum tempo de escrever para o "politicamente incorreto". Mas admito que ando afastando Jesus (e bisões albinos) da minha vida. Senti isso porque hoje, antes de começarmos a atividade, rezamos o "Padre Nosso". Mas eu tinha assistido uma paródia de "de volta para o futuro" e estava com a música tema do Marty na cabeça. Posso jurar que encerrei a oração com:


"... mas não o deixeis cair em tentação


Mas livrai-nos do mal...


That's the Power of
Love!♪"


... E o sinal de cruz.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Palhares: A Paranóia

A nossa empresa trabalha com elementos perigosos, maquinário pesado, e poluição. Quando uma empresa atinge certo tamanho, e com esse perfil, a cobrança sobre ela é estratosférica... Cobrança estratosférica possui um termo técnico no mundo científico:

Paranóia.

Entendo exigir máquinas bem-testadas para erguer um container de 300 "X" que pesa coisa de uma tonelada e meia, Admiro exigir que estivadores usem capacete dentro do Depósito 03. Aceito quando os seguranças da empresa recebem poderes extraordinários de parar e alertar os empregados que estejam transitando sem o cinto de segurança...

... Mas quando chega na copa essas disciplinas, aí começo a achar que passou dos limites.

Funcionários como eu não podem trocar a garrafa de água do bebedouro nem o pó da cafeteira se não tiverem o devido treinamento!

Devido treinamento... Para colocar uma garrafa!

Claro, exige certa força muscular para mover os garrafões. Mas nem para ser aqueles grandes de 20 litros... Eu imagino que seja o mesmo dos macacos... Pegar uma peça redonda e ver se não tenta encaixar num buraco quadrado.

Para manter a paranóia funcionando, denunciando os motoristas sem cinto, os estivadores sem capacetes e os macacos não-treinados na arte de trocar o pó do café a empresa criou uma "comissão". São funcionários que possuem tempo de sobra em sua vida para assistir a seminários chatos, torna-los mais chatos e passar para os demais. Veja bem: Não falo de CIPAs de empresas, mas alguns órgãos vinculados a elas... Mas soube de algumas CIPAs que são assim.

Mas para não ser processados, Chamemos o que eu me refiro como "COMI".

Bem, a COMI na minha empresa não é uma CIPA... e acho que não teria autoridade nenhuma para coagir funcionários efetivos, a não ser sugerindo atitudes aos supervisores e gerentes para sofrer algumas sansões. Tal qual aqueles moleques da quinta série que grudava nos bullyings e dizia "Olha lá! Ele não te deu o lanche da merenda! Bate nele!". Isso deve deixar claro como eu me sinto em relação a este sub-orgão de mentecaptos.

Então, quando sou chamado pelo Doutor Ataliba - gerente de segunda linha - para responder a um "evento de inobservância da COMI"... já fui pensando no que poderia ter sido. Minha função é estritamente administrativa, numa sala. Será que alguém viu meu abridor de cartas fora da gaveta? Será que foi quando eu espetei meu dedo num grampo preso no grampeador?

Começo meu martírio de caminhar até a salinha do Doutor Ataliba. Porque os desgraçados não levaram isso só para o CIPA? Ou para meu supervisor imediato? Diabos, até para o Gerente de Primeira Linha! O que foi? O dono da Mina não voltou de Aspem para ouvir sobre o cadarço de meu sapato não-corretamente amarrado?

Eu não sei ainda porque minha surpresa ao ver pela divisória transparente da gerência que o membro da COMI que me aguardava na sala do Doutor Ataliba era o Palhares!

Palhaaaares...

Aí desisti de tentar adivinhar o que poderia ter sido... Não ter contado a carga de "X" trinta vezes a cada passo dos dez metros que separa o galpão de recebimento do depósito dele, não ter sorrido quando ele me fez assistir enquanto ele contava de novo, terem entrado com a senha de outro funcionário no meu terminal...

Mas, pela curiosidade mórbida, me abstive. Bati no vidro, e recebi o gestual de que poderia entrar.

- Tudo bem, Senhor Ivan? - começou o gerente.

- Tudo... Algum problema? - pergunto retoricamente.

- Como tem estado de saúde? - pergunta.

- Nada que possa me queixar.

- E o trabalho? Vai bem? Problema com os prazos?

Caramba... Aquela bola levantada e o Palhares lá com cara de nádegas... Mas já estava enrascado, preferi não entrar defensivamente.

- Só o suficiente para me manter ocupado. - respondo.

- Eu... soube de... - falou, introduzindo o tema da aventura desta semana. - O senhor teve um problema...

- Problema? Eu? - pergunto surpreso. - Qual seria?

- Soubemos que teve um episódio na copa.

"Troquei o garrafão? Coloquei café na cafeteira? Eu usei o micro-ondas uma vez, mas não fiz curso... Será que foi isso?" - comecei a me penitenciar antecipadamente... Mas lembrei que seria impossível prever o que foi...

... Afinal, era o Palhares!

- Eu não estou certo de que saiba do que se trata...

- Nos disseram que o senhor atirou o açucareiro no chão porque não tinha adoçante.

- Eu jo... Joguei?

- Isso parece-nos um sinal de ... Estresse. - interrompe Palhares. - Estamos preocupados com você.

Há... Essa é boa... Palhares preocupado comigo.

- Senhor... eu realmente nego que isso tenha ocor... Espera aí!

O incidente vem a minha memória.

- Foi o de quinta-feira passada?

- Precisamente. - fala Doutor Ataliba. - Possuímos convênios com psiquiatras laborais ...

- Nanananão. - falo então, rindo. Meio que alívio após o mar de loucuras que ia me passando frente à paranóia das COMI. - Eu não JOGUEI o açucareiro no chão. Eu derrubei!

- Jogou... Derrubou... - fala Palhares, dando com os ombros, como se não houvesse diferença entre um verbo e outro.

Sim, o mesmo Palhares que me perguntou trinta vezes pela contagem de "X".

- Eu quis dizer que não Joguei no chão um açucareiro! Eu estava colocando açúcar no meu café e derrubei! Foi um acidente. O açucareiro é de metal, não quebrou nem nada.

- Mas consta no relatório do Sobrinho que o senhor jogou o açucareiro no chão porque não tinha adoçante.

- Sobrinho de quem?

- Sobrinho, dos serviços gerais.

Esforço um pouco em me lembrar, e enfim recordo. É o "Valeu campeããão".

- Ele falou isso? - falo surpreso. - Eu lembro de ter aberto um chamado e ele ter atendido.

- Abriu um chamado por não ter adoçante? - pergunta Palhares.

- Não! Para limpar o açúcar do chão. Segundo o Documento Interno de Publicação, eu não tenho treinamento para operar uma vassoura e nem tenho EPI para abrir a lixeira. Acho que aí eu comentei com ele que eu estava meio que desajeitado com o açucareiro, sabe, porque eu uso adoçante normalmente. Fui tentar fechar e meti a mão na colher.

- Senhor Ivan... - fala o Doutor Ataliba. - O registro consta que o senhor jogou o açucareiro ao chão devido à ausência de adoçante.

- O Filho deve ter anotado o que eu dizia enquanto eu relatava no telefone Não teve nada a ver! - defendi.

- O filho de quem?

- Filho... Neto... Ah, Sobrinho! O rapaz do SG.

- Se me permite... - começa Palhares... Ah, Palhares... - Não é a primeira vez que uma impaciência por parte sua causa algum transtorno no ambiente.

- Impaciência? É os containers de "X" de novo?

- Senhor Ivan - fala o gerente... Esse que eu não podia nem responder à altura. - Aqui mesmo dá para ver por sua linguagem corporal sua postura defensiva, seus olhos correrem de um lado para o outro...

Como dizer que uma inquisição espanhola iniciada por açúcar no chão, que todo o conceito do COMI, e claro, a presença sempre bem-quista do Palhares, esta entidade que personifica a burocracia e a falta de limites era o motivo de meu constante tormento?

- Eu vou ... procurar melhorar, senhor. - falo submisso. Era como os containers do Palhares: Resistir só prolongaria a agonia.

- Vou recomendar ao seu gerente de primeira linha que recomende a seu supervisor que recomende ao CIPISTA do seu departamento que inclua na próxima relação de exames médicos periódicos uma entrevista com psicólogo e avaliação de estresse.

Ah, os CIPAs fazem isso também? Bom saber!

A boa notícia, fruto desta nova jornada à insanidade humana, é que hoje em dia não falta mais adoçante.

A má é que quem não toma café com adoçante precisa ligar para alguém do S.G., porque saiu daquela sala mesmo um Documento Interno de Procedimento exigindo treinamento de todos os que fossem usar o açucareiro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Retorno de Palhares

Nada como terminar a manhã de Segunda-feira com o Palhares.

Sim, o Palhares! O mesmo que me fez perder uma manhã inteira no Armazém de "X", o qual ele "supervisiona".

Meu mecânico trabalho rotineiro é interrompido quando o boy traz meu lanche, acho que seu nome é "Filho" ou "Junior"... "Neto", “Segundo” talvez. Eu chamo ele de "Valeu campeããão" para disfarçar que ele está ha quase um ano na empresa e eu nunca me dei ao trabalho de aprender seu nome.

Parece cruel, mas na esteira da ala administrativa da mina onde trabalho, somos peças do maquinário com funções variando de grau à nossa faixa salarial. Tem aqueles que só possuem apelidos como "Valeu campeããão", tem aqueles ligeiramente acima deles, como eu, que chegam a ter seu primeiro nome... "Ivan" no meu caso, e tem o Palhares. Os quase superiores. Aqueles por quem tratamos pelo sobrenome.

Um dia eu chego a esse status... Só será estranho os estivadores e o "Valeu campeããão" me chamando de "Paixão".

Só para completar, depois volto ao Palhares: Tem os Gerentes, aqueles que atendem por "Doutor" e mais um dos nomes - pode ser o primeiro ou o sobrenome... Não decifrei ainda o código - e porfim o dono da Mina, que atende por "Doutor" e seu nome completo.

Tipo na oração explicativa "Ivan, o Palhares é interino de Doutor Ataliba enquanto ele viaja com Doutor Augusto Aguiar" dá para ver os "macaquinhos" na manjada escala evolutiva humana. 

Okey, Palhares agora.

Se vocês se lembram, ele é o supervisor do armazém de "x"... Na verdade do Depósito 03 que usam peças de certa metragem - dentre as quais estava os 525 "x". Eu, recebo e repasso os produtos todos que chegam. Somos departamentos diferentes, com um único ponto de intersecção, que é quando os produtos que eu recebo são destinados à armazenagem no Depósito 03.

Então, não posso descartar o fato de Palhares estar no meu departamento ser por motivo de trabalho. Então ele se aproxima. Logo depois de eu receber meu sanduíche e meu guaraná do "Valeu campeããão".

- Ô Ivan... - aborda, após tossir. - Posso usar rapidinho seu ramal? É interno!

Traduzindo aos leigos: "interno" quer dizer que é para ligar de ramal a ramal, ou seja, não usar a linha telefônica para fora, que é a que cobra tarifa e se for particular desconta de meu mínguo salário. 

 Apesar dele ser um "sobrenome", ele não é meu superior funcional. Não era de meu departamento, oras! Mas não vi na hora problema em poupá-lo de caminhar até o longínquo armazém de "x" para verificar algo. "Claro!" - falo cordialmente, estendendo o fone do aparelho e as teclas tão distante quanto o enrolado cabo permitia.

Ainda tinha coisas a fazer antes de ir ao meu almoço, então continuo à máquina, trabalhando, enquanto ele discava e esperava o cara do outro lado atender. Mas nisso não tem como ignorar aquele senhor de 50 anos debruçado sobre meu ombro por causa do fio curto. E o gênio do outro lado não atendia prontamente. Eu poderia ir para baixo de minha mesa conseguir mais cabo para ele, ou ceder meu assento.

- Quer se sentar um pouco, Palhares? - pergunto. Retoricamente, já que o desconforto era visível. Ele agradece com um sorriso e um gesto de mão, e mexe a boca. Como se dissesse algo, mas não queria que o interlocutor ouvisse. Supus que já estavam atendendo.

Não prestei muita atenção até por questão de educação. Mas estar nas cercanias me permitiu ouvir palavras soltas e montar a história na mente. Ele mencionou um outro "sobrenome" e depois as palavras nessa ordem mas interligadas por outras: "férias", "rapaz, esqueci, acredita?" e "caixa de correio". Também tosse um pouco. Reparo que ele meio que tossiu algumas vezes no dia de hoje.

- O Ivan... - fala ele tampando o fone com a mão. - Desboqueia aí seu terminal para eu pegar um arquivo!

Eu reparo que não foi um pedido como o de usar meu Ramal. Palhares deve saber que eu não sou um "sobrenome" e que gente como eu ter um ramal é um privilégio, e Doutor Augusto Aguiar deixava isso bem claro nas reuniões bisemenstrais com toda a força de trabalho.

Mas eu sou cordial e consigo incluir mais aquele favor no contexto original. Afinal, era coisa de trabalho. Dava para relevar a estranheza até então... Pressiono as teclas secretas (ao menos ele não ficou encarando quando eu digitava o nome da minha filha, que é minha senha). 

Ele realmente foi direto no ícone da caixa de correio interno, que pediu prontamente a identificação. Ele desligou o ramal, e escreveu no nome do usuário: "ataliba". Esfrego os olhos e constato que quem estava na minha cadeira era o Palhares, não o Doutor Ataliba.

Ele pega o telefone de novo. Desta vez não pedindo autorização. Numa fração de segundos eu novamente enquadro no pedido anterior, embora desta vez estava sendo completamente ignorado.

E desta vez ele clica "jogo da velha". O sinal para ligação externa.

- O Doutor Ataliba não me passou o relatório antes de sair de férias. - fala ele, como se percebesse que sua indiscrição estava indo um tanto longe. Tosse mais uma vez e olha por alto minha mesa. 

O sistema de correio interno não precisa do "doutor", mas nós, meros nomes e os orgulhosos Sobrenomes da empresa, precisavam. Ele assenhorou-se da autoridade de um gerente - este chefe de nós dois em comum - para conseguir de mim um pouco mais de tolerância. Por isso, eu mantenho-me em silêncio.

- Bom dia... O quarto do Doutor Ataliba, por favor? - continua Palhares no ramal. - Tudo bem... eu espero. 

 Não... EU estava esperando. Era uma ligação externa no MEU ramal, que outro sobrenome iria averiguar, e eu precisaria comprovar que era assunto de trabalho. Ótimo que era para o Doutor Ataliba, mas como foi que um "Ivan" conseguiu o número? Lembrem que ele estava de férias com o maldito dono da mina!

 Enfim, o nosso gerente esquivo atendeu e trocou informações. "Como é que tá aí em Aspen" e coisa e tal. "Chegaram os "x". 525 unidades. Libera o pagamento". E enfim:

- Me passa aí a sua senha que eu pego no seu correio! - fala nosso herói.

Eu queria sentar... Mas o Palhares estava na minha cadeira. 

Doutor Augusto Aguiar deixou bem claro a proibição de usarem as senhas uns dos outros, e alertou que os terminais eram constantemente monitorados para identificar quem descumprir a regra. Palhares estava no meu terminal, desbloqueado com a minha senha, entrando na conta de um gerente! Claro que na manhã seguinte meu supervisor iria me chamar na salinha.

Recordo-me que um dos expoentes dessa libertinagem de senhas era justamente o Armazém 03. Doutor Augusto Aguiar nunca apontou nomes diretamente, mas imagino que se não fosse o cabeça, Palhares era pelo menos um de seus expoentes.

E agora eu. Sem sequer ter a tênue proteção de ser um "sobrenome", "Ivan" estava incluído nos registros. 

No nervosismo e na confusão mental, o fato do Palhares estar na minha cadeira quando eu precisava tanto sentar me pareceu igualmente grave. Olho atônito quando ele digita os seis dígitos, abre o correio interno, procura dentre os múltiplos e-mails confidenciais do Doutor Ataliba um com o primeiro termo "relatório" no Subject.

Eu já me senti um espião industrial por ter lido o nome "relatório"!

Eu viro o olhar e acompanho só com a visão periférica. Ele repassa para outros dois e-mail... E enfim fecha. Em algum momento enquanto fazia isso, ele acalmou sua tosse com o guaraná que "Valeu campeããão" trouxe para meu almoço. Não consegui precisar quando.

Enfim, ele agradece (longamente) Doutor Ataliba, desliga o telefone, manda desligar meu computador - sendo que eu ainda tinha coisas para fazer antes do almoço (que tinha começado ha dois minutos) e me agradece o favor.

Claro, no vão de saída, ele vira-se para mim e pergunta:

- Quem é "Suzana"?

- M-minha filha.

- Ah! - fala enfim. E some pelo resto do dia.

domingo, 14 de agosto de 2011

Batman - A franquia do ilusionista

Eu não posso parar de pensar na forma que os ilusionistas trabalham quando penso nos filmes de Batman. Um mágico não é o cara que faz a moeda desaparecer, e sim aquele que a traz de volta. 

Ao contrário dos feiticeiros da idade média, sabemos que estamos vendo algo que não é real. Mas aceitamos e até queremos ser enganados. E quando descobrimos como se faz o truque, um pouco daquele espírito morre.

Calma, que mostrarei meu ponto em breve:

O primeiro filme do Chris Nolan, "Batman Begins", tinha um único grande expoente nos trailers: O Batmóvel. O "Bat-tanque" massavéio como diria os MDM. Ao redor desse grande tanque de guerra, mencionavam Lian Nielsen como o treinador, dava relances no Raz Al Ghoul - o mais temível vilão do Batman para quem lê quadrinhos. Mas o Batmóvel era tão chamativo que ninguém queria discutir nada fora aquilo... "Será que presta"? "será que vai ficar uma porcaria"?
 Quando o filme saiu, todos curtiram o batmóvel, mas o que realmente chocou a platéia foi o próprio nascimento da lenda... E o fato que Lian Nielsen, ao contrário das expectativas, ERA Raz Al Ghoul.

O segundo filme, o mais bem-sucedido filme de super-heróis da história - não só em termos de retorno financeiro. O Batman ganha um "Bat-pod". Mais STYLE que um tanque de guerra, mais ágil. E esse coringa de vilão? Heath Ledger? O cara do filme dos cowboys gays? Aparece do nada gritando "Matem o morcego!"? Como esse cara vai convencer? Ainda mais num tema batido como esse?
 Bem, este foi o mais bem-sucedido filme de super-herói da história, um dos mais bem-sucedido do mundo (e muito mais profundo que Titanic e Avatar do James Cameron). Todas as cenas do trailer, incluindo citações, acabam antes da metade do filme. Tudo é novo. O confronto do Batman e do Coringa não é mais um batpod contra um caminhão dando cambalhota, mas a alma dos cidadãs de uma cidade que, no filme anterior, não conseguia nem denunciar policiais corruptos.

Agora volto ao ilusionismo: Como o mágico tira a moeda de nossa atenção? 

Nos distraindo. 

Ele mostra o lenço. Ele embaralha as cartas. Ele mostra o que você quer ver com a mão direita enquanto a esquerda a moeda sai de um lugar para o outro. A carta marcada fica em posição. 

E "Voalá". A platéia é surpreendida. O que nos mostraram era curioso e divertido, mas a magia se revela surpreendentemente. Estava tudo lá, mas escolhemos ignorar. A prestidigitação foi brilhante, mas nossa surpresa espontânea eleva à categoria de sobrenatural o espetáculo.

Alias, Christian Bale ESTAVA em "The Prestige".

Decidi escrever isso porque, após o mais bem-sucedido filme de super-heróis da história do cinema, muito peso traz este último capítulo da trilogia. E nos últimos meses a internet tem sido inundada por fotos e vídeos da mulher-gato de colante (mi-au!) e do novo trambolho massavéio: O Batwing.

Seguem os vídeos... assistam e criem expectativa.

Afinal, nada nesta manga...



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Despacho pouco comum






A Escola Nacional de Magistratura incluiu em seu banco de sentenças, o despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins. A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias:


DESPACHO JUDICIAL.
   DECISÃO PROFERIDA PELO JUIZ RAFAEL GONÇALVES DE PAULA
   NOS AUTOS DO PROC Nº. 124/03 - 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas/TO:



    DECISÃO


     Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.
     Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famílico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)...
     Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguím. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantím 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz.
     Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização europíia....

     Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?
     Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.
     Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.
     Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo.

     Expeçam-se os alvarás.
     Intimem-se.

       Rafael Gonçalves de Paula

       Juiz de Direito