terça-feira, 10 de novembro de 2009

2 casos, 1 Youtube

 Geisy, estudante de turismo, foi para a faculdade com trajes sumariamente curtos. Definitivamente inapropriados para ambientes mais formais como (deveria ser) uma faculdade.

Mas a turba se juntou, a chamar de “Puta” ou coisas do gênero, mantendo-a por quatro horas em cárcere privado até a chegada de reforço POLICIAL!

A faculdade, dividida entre a causa de uma aluna e uma centena de pagadores de mensalidades, optou por expulsar Geisy. Era o que pesava menos no bolso...

... Até o vídeo tomar o Youtube de assalto. A opinião pública caiu em cima da decisão, e agora, Geisy tinha a seu lado a mídia, e a publicidade negativa que condenaria mensalidades presentes e FUTURAS. Voltando atrás com sua decisão.

Outro caso: Ana Flávia, médica, recém-casada e indo para a lua-de-mel por algum motivo que só cabe a ela dizer chega atrasada no aeroporto (contrariando a instrução de chegada com 2 horas de antecedência). A aeronave estava ainda no pátio, mas ela não compreendia que o procedimento de pressurização, bem como o controle de rota, as vultosas multas que a companhia aérea recebe quando seus vôos não decolam no horário programado, e o horário das cem demais pessoas no interior da aeronave (e que chegaram no horário).

Claro, ignorando tudo isso, frustrada com a nave parada na pista, ela poderia correr á Infraero e pleitear com quem tenha qualquer autoridade sobre a nave. Seria difícil isso acontecer, iria prejudicar todo o procedimento supracitado, e aquele que cedesse a seus apelos provavelmente sairia demitido naquela tarde mesmo... Mas tinha chance de funcionar!

Mas o que fez essa jovem portadora de diploma da mais disputada cadeira de qualquer universidade? Atacou o atendente do balcão. A menor autoridade na hierarquia depois do jardineiro, do faxineiro e do vendedor da banca de revistas do aeroporto Santa Maria.

Sensibilizando-o a sua causa? Subornando-o? Não. Ofendendo-o. Como profissional incompetente que ele era por fazê-la perder o vôo? Não. Por ser PRETO E POBRE! Ela salta o balcão, quebra computadores (afinal, ele não ia precisar deles para parar o avião, ou ia?) senta-se na esteira e abre fogo com injúrias contra o servidor na base da cadeia de comando de uma operação de vôo. Nisso, uma multidão entretida surge, e no meio destes, um celular com câmera de vídeo.

Este caso pytonesco chega à delegacia. Não um assalto, homicídio, pessoa desaparecida. Chega ao delegado um bate-boca no aeroporto. Segundo testemunhas só piora na delegacia: A frase “Se você chegar a meu pronto-socorro eu te deixo morrer!” teria sido proferida pela médica, que não só ignorou, como defecou sobre o juramento de Hipócrates. Vamos dar o benefício da dúvida da veracidade deste evento (não por não acreditar nele, mas por ser desnecessário ante ao exposto).

Os oficiais olham o caso, ninguém morreu. A ofensora não é (no campo prático) uma ameaça à sociedade, com pais abastados o suficiente para galgar-lhe educação de nível superior e provavelmente com dois advogados no dial do celular. Do outro lado, um ... PRETO E POBRE. Decide ignorar o flagrante crime de racismo (Não por ser inafiançável como um órgão de imprensa mencionou: porque foi apreendido no momento em que as injúrias ocorriam. Alias, elas prosseguiram até a delegacia!), a evidência gravada por um dos muitos fãs de barracos na cidade. Deixe que o judiciário cobre ressarcimento do prejuízo. Os grandes brigando.

E eis que o curioso fã de barracos decide compartilhar a pérola flagrada com seus 30 mil amigos íntimos do youtube. A opinião pública é chocada com a atitude da jovem médica e com seu desfecho. Movimentos Sociais são acionados, órgãos públicos movem suas engrenagens para mascarar sua vontade de ignorar o evento. Mas mesmo se isso não ocorresse: Uma profissional liberal como a Ana Flávia tem agora seu nome e rosto vinculados a um incidente desprezível, de sentimentalismo. Isso lhe trará muitos problemas na profissão de médica (isso se ainda puder exercer, pois a ofensa ao juramento de Hipócrates é muito sério no campo médico).

Moral da história: Não hesite em usar o celular para filmar injustiças cometidas contra você.

Ou chame um advogado.

Taquí o meu cartão.

14 comentários:

  1. O problema é que eles ainda acham que podem controlar a postagem de vídeos no youtube e os advogados querem processar o Google e que ele apague os vídeos... #fail... igual a rubinho que processou o google pq de fakes no orkut e agora tá querendo tirar R$1,2 milhoes do google... #fail de novo... qto mais se briga pra tirar um vídeo mais pessoas compartilham ele... ai ferra tudo...

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  2. Tem de filmar e botar pra todo mundo ver mesmo. Pelo menos enquanto a opinião pública for movida pelo Youtube e afins, tem de aproveitar essa nova arma.

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  3. Muito embora a confusão seja passageira e depois muita gente nem lembre do que ocorreu.

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  4. olá...

    não, Erick, no caso que o cap postou a cobfusão queria ser passageira e armou o barraco pq não deixaram... XD XD XD

    Conpea

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  5. ... E pensar que nos anos 90 para se combater a injustiça com vídeo, só o Aqui Agora... #souvelho

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  6. Já vi tanta menina de minissaia na faculdaade que eu estudo e na UniBan que tem lá perto (que não é a mesma da Geysi) que dá muita vergonha ao ver o que aconteceu lá.

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  7. Era esse incentivo que eu estava procurando, obrigado.

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  8. Em Timbó tivemos um caso recente de "flagra forjado" de violência policial. O bacana foi ver que a opinião pública no geral ficou a favor da polícia que bateu nos meliantes lá hahah =)

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  9. uhahuauhahuahua
    Quando é pra descer o cacete nos meliantes, povo apóia hehehe ;D

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  10. Quando é para bater nas pessoas Eu apoio =D

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  11. Não importa a roupa que ela usava, e sim a forma como ela foi tratada. Foda-se se ela estava de biquini! Ninguem teria/tinha direito de ofender a moça e ameaçar estupra-la! E isso inclui qualquer roupa usada por ai por qualquer pessoa. É fácil culpar as mulheres por usarem roupas curtas em vez dos estupradores, a vítima quem provocou! Ridículo!

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  12. Isso me remete ao meu segundo ano na UNIT.

    Direito Penal I, o ilustríssimo Dr. Ewaldo Campos era o professor. Ele foi dar um exemplo de gradação de pena, e lança os seguintes casos:

    1 - Um tarado salta um muro de quatro metros de altura para estuprar uma freira de 80 anos, toda coberta com o hábito;

    2 - Um tarado estava na praia da José Sarney, à noite, sozinho, quando passa uma jovem atraente e PELADA! Ele vai e a estupra.

    Ele conclui dizendo que o primeiro caso terá pena mais grave do que o segundo, pois mostrou uma intenção e esforço maior para cometer o crime.

    Eis que surge uma colega nossa, revoltadíssima com o professor, porque ele estava "tolerando" estupro da menina pelada, e que ela tinha o direito de vestir o que quiser sem ser estuprada. Não adiantou Dr. Ewaldo, que é uma sumidade legal aracajuana, explicar que não estava tolerando e definitivamente não aprovando o ato, e sim comparando com o anterior.

    Bem, é esta mesma colega que em Direito do Trabalho II bateu boca novamente, desta vez porque dizia que demitir um funcionário homosexual era justa causa por manchar a imagem da empresa. (detalhe: o professor de Direito do Trabalho ERA homosexual).

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