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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ligação para Carla

Quem me conhece sabe que eu sou do tipo que guardo rancor. Por isso, hoje de manhã fui forçado a rever o primeiro telefonema que recebi em 2008. Um telefonema para Carla.

"Quem é Carla", você pergunta? Alguém que possui uma amiga sem-noção em Recife.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Palhares - AR-Meng

 A Mina decidiu inovar. O presidente deve ter lido numa daquelas revistas de negócios (ou numa revista de bordo das empresas aéreas durante suas viagens de negócios) sobre o Misbruik, o super-sistema de controle administrativo holandês, classificado por aquela conceituadíssima revista de bordo como a melhor ferramenta para administrar uma mina. Realmente, existiam funcionalidades nela desde controle da rotina de depreciação das brocas e perfuratrizes até atas de reuniões da COMI para debates sobre o açúcar. Obviamente passando por contagens de fotorabixos e outras coisas.

 Infelizmente, a Holanda não é o Brasil. A realidade legal e trabalhista não é a mesma naquelas cercanias, e muitas sub-rotinas do Misbruik não estavam dando certo em nossa realidade. Temos nossa linda carga tributária, que o Misbruik não conseguia acreditar e processar. Temos certas libertinagens de RH que os funcionários holandeses - permitidos legalmente de consumir drogas em cafés - acham exacerbado.

Solução? O AR-MENG.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Prachedes - quase deu saudades do Palhares

Olá.

Algum tempo não escrevo, não é?

Não, não fui demitido (embora tenha perdido uma oportunidade de... deixa para outra estória). Estou no mesmo lugar que vocês se lembram. Ainda na mina, ainda ralando, ainda penando com nossa grande engrenagem corporativa, emperrada por uma roda dentada com dentes demais... A roda dentada chamada Palhares.

Sei que ele sendo nomeado como meu arqui-inimigo era meio que natural. Mas da mesma forma que quando o Coringa está prezo no Asilo Arkham o Batman precisa combater o Pinguin ou o Charada, quero apresentá-los ao senhor Prachedes.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os PJs: A formação do Grupo

Mirumoto Nobunada. Tholen da Torre do Martelo. Hellen'ae Mooredriff. Yuuhi Midori.

Meliny
Por que Meliny? Bem, a facilidade que eu tenho em junta-los por melhor domínio do cenário. Um mundo de fantasia medieval, com um "inferno" bem explorado em "O Demônio interior II" e "Mystara: princesa Succubus", com um influente reino oriental, com conflitos entre rigorosos samurais e misteriosos seres com poderes absurdos. 
Particularmente, ando trabalhando bastante no modesto reino Doravânia, que é coincidentemente o mais próximo do orientalíssimo Wen-ha. 
CONSIDERAÇÔES::
Não só sistemas, como cenários diferentes marcam os quatro personagens. Curiosamente, Hellen e Tholen tem muito em comum. De campanhas alternadas em Forgotten. Decidi que havia uma ligação anterior aos dois. Os demais PJs dos outros colegas ainda existem... De forma "fusionada (como Nindrile) e etc. Outros, podem ser ajustado ao comportamento dos outros. Midori agiria exatamente como Faelar uma vez ajustado ao grupo.
 Hellen tem um segredo... Bem, não para quem jogou comigo ou acompanhou o diário. E também não para quem pega as não tão sutis pistas. Mas quero apresentá-la ao longo de uma série de contos. Partindo do princípio que ela viajou com o Flagelo de Vorbyx...


 Ah, sim. Alguns nomes tive que mudar por "direitos autorais. Nobunaga tornou-se Geen Nobunaga, que seria o equivalente ao clã Dragão de Rokugan (com o bônus de ser a família imperial no tempo do conto). E Não mais Tholen poderá ser chamado de "Flagelo de Vorbyx", uma vez deixado Faerum.
 O grupo de Nobunaga anterior permanece. Alguns nomes mudarão; outros se verão como mais próximos (Hida Fuji e Moto Lee são ambos adequaddos ao clã Tsé, enquanto a divina Shiba Maya seria uma Shorian inegável). Mas vou pincelando esse passado ajustado ao longo da série. 

Sem mais... que comece a loucura!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Conto – A Queda de Icátia – por um cigano

- Deixa eu lhe contar da queda de Icátia. – fala Icrino, virando um copo. – Nossa história ainda existe, mas não em livro, ou papiro. Ou sequer em Monumentos. Estou vendo você aí, jovem Bardo. Vai escrever?

- Eh… Não senhor. – fala o mais novo do grupo.

Icrino debruça-se no tronco que fazia vezes de mesa. Enxuga seu longo bigode negro na camisa de seda bufante, tirando aquilo que não bebeu da caneca oferecida pelos dois anões do grupo. O Cigano lembra que eles falaram o nome de um templo de alguma coisa… Um deus ou um mago que apenas os mais obscuros ouviram falar. Mas eles precisavam de um guia para os arredores da aldeia de Lhentagar e o Cigano conhecia as trilhas e, bem, queria estar em qualquer outro lugar longe de Genesa.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Quarto Assombrado

O Capitão Afrânio Gusmão já havia visto horrores de sua profissão, em ambos os lados da lei. Mas nada como o cômodo da sua nova casa.

Era um estúdio do antigo morador, um colega que ele matou...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Flagelo de Vorbyx





http://flagelodevorbyx.blogspot.com.br/

Nova desventura RPGística. Meu personagem na atual campanha de RPG ambientada em Faerum (Forgottem Realms) e suas cartas a um fictício Mestre Castelão de sua cidade-estado de origem. Em breve, o Forte das Armas pronto para ser usado em seus cenários!

  • Acompanhe Tholen da Torre do Martelo em suas andanças pelo Mar da Lua e a Terra dos Vales, em Faerum.
  • Conheça o Forte das Armas, sua fortaleza natal

  • E não leve para o pessoal. Ele tem Carisma 6...

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Ser Mestre é padecer no paraíso - III" -


"Ser Mestre é padecer no paraíso - III"

Quando o personagem é bom demais para o cenário!



- Okey, o grupo começa em uma Taberna.

- Não!

- Eh... Como assim?

- Eu sou Caulyflor, o Veggan. Tenho votos de pureza para meu senhor, o Deus Verde. Não me corromperia indo a uma Taberna beber. 
- Você não precisa beber. Tem alimento e ... 

- Duvido que um estabelecimento plebeu tenha recursos para uma alimentação digna. 
- Pelo menos, vá pelo companheirismo. Seus colegas estão lá... Mesmo o Paladino e o Clérigo!

- Minha presença indicaria tolerância a um antro de bebuns.

- Certo... Onde estaria Caulyflor então?

- Num templo botânico ao Deus Verde.

- Esta é uma cidade nos recôncavos afastados do reino. O Deus Verde nem mesmo é conhecido. Mas na Taverna...

- Esqueça a taverna. Vou buscar uma região mais pura da natureza nos arredores da cidade.

- Aff... Bem, Vocês estão num lago de águas límpidas nos arredores da cidade de Yngarth. O sol é convidativo a todos e...

- Porque eles estão aqui?

- Porque você não aceita estar em uma taverna.

- Mas se eu me recolho a orar ao Deus Verde, preciso de total paz e silêncio. Porque eles não vão para a taverna, que é mais apropriado?

- >ahf< certo. Vocês partem para a Taverna, deixando Caulyflor solitário na margem do lago. Chego já a vocês. Antes, algo em especial que queira fazer, Caulyflor?

- Apenas buscando a paz de espírito.

- Certo. Você buscava a paz de espírito quando ouve um barulho.

- Tento ignorar.

- Eh... Em um mundo medieval, isso é suicídio. Pode ser um assassino esgueirando-se pelas suas costas...

- Fazendo tanto barulho assim?

- É um velho quase desmaiando. Ele tenta a todo o custo alcançar a cidade.

- Caulyflor deseja a ele boa sorte em sua missão.

- Como? Não cai ajudar a ele?

- O Deus Verde é true Neutral. Acha que "o que tiver de ser, será"!

- O velho cai no chão, quase morrendo, e suplica sua ajuda.

- Eu ignoro.

- Certo... Ele rasteja na direção da taverna. Guardo a ação para vocês... Não quer mesmo fazer nada?

- Não. Encontrarei a paz de espírito.

- Certo, então vou separar vocês e passar a missão para seu grupo, okey?

- Tudo bem.

(alguns minutos depois)

- Você vê seu grupo, com uma mochila que pertencia ao velho, na estrada marchando rumo ao sul, em disparada. Curiosamente, eles não tiveram grandes vontades de convocá-lo... Eu me questiono o Porquê...

- Se eu não fui convocado, não era para ser.

- Nem ao menos buscará a Taverna para saber o que houve com o velho e seu grupo?

- Posso deduzir que eles receberam uma missão do velho e partiram.


- Okey, isso é meta-jogo. Tá reclamando do clichê? Esta é a primeira aventura! Tenho que começar de algum ponto! Você já estaria meio-caminho de tudo se ficasse na Taverna cinco minutinhos.

- Não, eu sei distanciar-me do meu personagem, e sei interpretar perfeitamente o que ele faz. Por isso, mantenho-me fiel ao que prega o Deus Verde! 

- Okey, você ouve uma voz...

- Eu a ignoro. 

- Impossível. É uma voz no interior de sua mente.

- Na minha mente?  

- Sim, ela diz: "Caulyflor, sou eu, o Deus Verde! O reino está em perigo e você será necessário para debandar um grande mal!"

- Ignoro. 

- O... Como é? Vai ignorar o seu Deus?!?

- A filosofia dele é: "o que tiver de ser, será". Ele não interfiriria diretamente em assuntos mortais. Ou isso é ação de um telepata tentando me corromper, ou é fruto de esquisofrenia brotando em mim. E ambos são combatidos com uma jornada de auto-conhecimento para o âmago de meu ser, em posição de lótus, encarando o lago. 

- Eh... O Deus Verde Insiste. "Cauliflor, o Veggan! Eu não faria uma exceção se não fosse importante! Siga até a Taverna e aprenda sobre o grande mal que paira sobre o reino, ou eu o negarei e tomarei seus poderes!"

- Agora tenho CERTEZA que não é o Deus Verde. Ele não é chantagista e vingativo. Fico ainda mais convicto ignorando-o. 

- Certo. Você... eh... Faz uma viagem de auto-descobrimento e encontra a solução: Ir à Taverna e fazer a vontade da voz.

- Hmm... Isso não me parece certo. Meus próprios pensamentos não são confiáveis no momento se eu estiver mesmo esquisofrênico. Eu ignoro essa epifanía. 

- Bem, certo. Vou seguir a aventura com o resto do grupo.

- Okey. E eu sigo em minha dedicação Veggan ao Deus Verde. 

- A propósito: Um assassino barulhento atacou por suas costas e o matou, roubando todos os seus pertences. Bom jogo!

"Ser Mestre é padecer no paraíso - II"


- Eis que com a batalha encerrada, vocês têm de escolher um dos dois caminhos, direita ou esquerda, da Dungeon dos Uivos perdidos.

 - Eu quero ir atrás do vilão! 
- Eu imaginei... Mas ele estava voando e vocês não voam. 
- Eu vou lançar um encantamento de levitação para voar! 
- Você tinha sete encantamentos de levitação. Usou para levantar as rochas que obstruíam o caminho da caverna e depois para
levitar as rochas para arremessar nos vilões. 
- Então... Só usei duas! 
- Eram três rochas que você levitou na porta. Depois, mais quatro rochas para arremessar no vilão.  
- Mas meu encantamento atinge múltiplos alvos! 
- Não, não atinge. 
- Quem disse?
 - Bem, todas as mídias conhecidas pelo universo, o livro de regras, a lógica... Mas o mais importante desses todos: O narrador.
- Mestre... Olhe a pressão!
- Okey... vou me acalmar. Não quero voltar para a clínica. 
- Mas eu ainda acho que deveria ter mais feitiços de levitação. 
- Foram sete rochas! Gastou sete feitiços!
- Mas as quatro que eu levitei para jogar nos bichos no encontro aleatório não tive oportunidade de jogar!
 - Claro! Porque você gastou quatro turnos para lançar o feitiço. Ao invés de lançar em uma e depois arremessá-la contra um alvo e só depois partir para outro, você ficou levitando todas as rochas que podia! 
- Mestre...
- ... E ainda queria levantar CINCO! 
- Olha a pressão!
- ... E se você se recordar, eram só três os vilões.
- Tá! Ele não tem mais magias de levitação! Ficou defeso isso!
- Bom.
- Hmp... Eu tinha um feitiço de mover pedras. Poderia ter movido pedras se eu quisesse...
- Galera, peguem leve com o narrador! A saúde dele está debilitada.
- Certo. Onde estamos mesmo? Na encruzilhada... 
- Ainda? Estamos nessa encruzilhada faz meia hora!
 - Por mim eu já estava em casa, mas para vencer a encruzilhada, vocês tem de optar por ir pela direita ou pela esquerda.
- Se acabaram meus feitiços de levitação, quais me restam? 
- Bem... Os de transformações infinitas.
- E quantas me restam? 
- São infinitas! Nunca acabam.
- Beleza! Vou me transformar num rato! 
- Hmm... boa! Você tem os sentidos de um rato agora. Sente pelo olfato que o caminho da esquerda é o mais usado.
- Ei! Eu não disse que ia fazer isso!
 - Eh... Tá... Mas você sente isso.
- Agora me transformo num rinoceronte!
 - Hãã... por quê?
- Porque rinoceronte é melhor para a briga que um rato! 
- Não tem briga agora.
- A-ha! "Agora"! Quer dizer que terá briga mais na frente! Vire um rinoceronte mesmo!
 - "Uff" certo. Você se transformou num rinoceronte.
- Ele pode me ajudar a ir atrás do vilão que fugiu voando? 
- Olha, em off, mas valendo aqui: O vilão que fugiu ultrapassa a velocidade do som e tem inúmeros esconderijos pelo mundo. E em on, eu pretendo usar mais á frente na campanha. Já o botão de autodestruição, que está na passagem da esquerda, tem um timer que está perigosamente perto do fim, que precisa ser apertado agora. 
- Como vamos confiar que a Esquerda é a saída? 
- O rato farejou.
- Mas ele é um rinoceronte. Ele nunca se destransformou. ratos não falam e Rinocerontes não farejam!
 - Eu estou dizendo!
- Mas foi em off. Não vale. 
- Ah, lembrei de uma coisa. Tem um mapa.
- Um mapa?
- Sim, na parede. Mostra do lado esquerdo um caminho reto para uma sala escrita "sala do botão de autodestruição", e ha várias outras salas escritas "armadilha mortal" "Caminho inútil" e "morte instantânea"!
- Eu vou me transformar numa ave que possa voar e ir atrás do vilão. 
- Okey... qual ave?
- Quais aves eu posso me transformar? 
- Qualquer ave que exista na nossa fauna.
- Alguma delas voa com pessoas adultas? 
- Não. Não existe isso.
- Posso me transformar numa versão maior de uma ave, o bastante para voar com ele? 
- Eu já pedi que esquecesse o vilão!
- Mas o cara vai ser uma ameaça em longo prazo! Você falou!
 - Mas foi em OFF!
- E daí? É RPG! Não somos limitados a ir para a direita ou para a esquerda! Quero voar atrás do cara! 
- Okey, você pode. mas não pode carregar o seu colega.
- Mas minhas transformações são infinitas! 
- ...Mas não ilimitadas!
- Posso me transformar em um dragão?
 - Não, você não pode. Dragões não existem.
- Mas enfrentamos um ontem!
 - Foi num cenário de fantasia, onde dragões existem! E COM OUTRO MESTRE!
- Mas já mata seu argumento que dragões não existem.
 - Quer saber? Querem ir atrás do vilão? Ele surge aí. Ele esqueceu as chaves do esconderijo secreto e voltou para pegá-las! Eis sua chance de bater nele e poder seguir para a passagem da esquerda!
- Ué? Não queria poupá-lo para usar depois?
- Mudei de idéia.
- Mas e a campanha?
- Digo que ele era peão de outro, um irmão gêmeo que vai seguir com os planos de onde o irmão parou.
- Bem, agora vou matar ele.
- Peraí... melhor capturarmos para usarmos contra o irmão gêmeo dele!
- AIMEUPAI! Vocês não sabem do irmão!
- Como não? Você acabou de falar! 
- FOI EM OFF!
- Mestre... olha a pressão!
- Eu tô me enchendo com esses "olha a pressão"! Seu personagem tá aí faz horas e não fez nada! Entra no jogo!
- Ih, sobrou para mim foi?
- Vou me transformar numa cafeteira! 
- Eh, o que?
- Transformações infinitas me permite transformar em objetos inanimados. Eu me transformo numa cafeteira, e aí ele que quer prender o cara me arremessa nele.
 - E porque não se transforma numa arma de arremesso? Melhor: Agora aproveite que se transformou em um rinoceronte!
- Porque ele não esperaria ser atacado por uma cafeteira! 
- Eh, não posso argumentar com esta lógica.
- Eu arremesso a cafeteira.
 - Okey. Ele tomou uma... "cafeteirada" ... na cabeça. Isso o machuca e queima. Ele então percebe que está lá e começa a tentar voar de novo.
- Como ele sobreviveu à cafeteira? 
- É ... Um objeto pequeno e não-apropriado para ser usado como arma. Não é o suficiente para derrubar um vilão como esse.
- Mas cafeteira não são pequenas! E aquela do hospital? 
- Aquela ... Ah, é uma máquina de café! não uma cafeteira!
- Eu estava pensando naquela!
- Não, pense numa cafeteira industrial da Nestlé! Deve ser do tamanho de uma casa!
 - Você não pode mudar a ação após ter agido! E... Como é que você sabe que existe cafeteiras do tamanho de uma casa na Nestlé?
- Pô! É a NESTLÉ! Deve ser assim! 
 - Uma cafeteira do tamanho de uma casa aparece. O outro herói não consegue ergue-la, e chama a atenção do vilão. Ele vai embora.
- Eu sigo. 
- Ele voa e... Okey, ele decidiu fugir a pé. Está a seu alcance.
- Eu volto para ver a encruzilhada de novo. 
- MAS ... MAS... 
- Mestre... olha a pressão...
- Okey. Voltando à encruzilhada... 
- Eu me transformo em um clone. 
- Eh... Sei que vou me arrepender de perguntar, mas porque um clone?
- Eu tenho um plano. E eu devo poder me transformar em um clone, ou não? 
- Poder pode... Mas clone de que?
- De... Mim... Mesmo! 
- Mas você já é você mesmo!
- Mas quero virar um clone meu! 
- ooookey. Aos olhos de vocês o mago transformista volta ao normal, mas na verdade, ele é um clone de si mesmo.
- Legal! Agora sou duas pessoas! 
- Hãã... não, não é não.
- Pense comigo: Se eu sou um clone meu quer dizer que há um "eu" de quem eu deveria ser clonado, logo, somos duas pessoas! 
- Mas não surge uma pessoa só porque
- Clone o seu clone infinitamente e você dá aquele golpe de Naruto!
 - Do que está falando? Eu não assisto. O que...
- Boa idéia! Clone a mim também que aí todos nós seremos um exército!
- Meu pai Eterno! Isso não vai funcionar!
- Só sabemos se tentarmos! 
- Okey, okey. Vocês tentam e não funciona. 
- Eu acho que ainda dá para perseguir aquele vilão fujão... 
- Galera... A montanha explodiu.
- Como?
 - Tô olhando meu relógio aqui e vi que a montanha explodiu. Vocês não detiveram o contador a tempo.
- Pera lá... a gente não passaria tanto tempo assim sem agir...
- Não passariam, mas passaram. 
- Qualé mestre. Aí é apelação! Não nos deu uma chance!
 - Ta certo... Foi só um, sei lá, um teaser do próximo filme-catástrofe que vai estreiar.
- É o 2012? 
- Deve ser. Não me importo mais.
- O 2012 não é porque já estreiou ontem.
- De onde veio a TV com esse teaser?
- Era onde mostrava o mapa... Ele dá refresh com teasers.

- Esse filme parece bom? 
- Eu juro que estava zoando quando falei... Mas , okey, é o melhor.
 A gente deveria assistir. 
- Como? Agora?
- Não tem uma cidade por perto?
- Sim, aquela que vai explodir se vocês não entrarem na passagem da esquerda, coisa de meio metro de vocês, e apertarem o botão de autodestruição!
- Acho que dá tempo... Tínhamos uma hora! 
- Sim, quando começou a partida! Isso inclui toda a palhaçada de jogar pedras com feitiço de levitação, perseguir o vilão, desistir de perseguir, o vilão chegar, transformar em uma cafeteira gigante, perseguir o vilão de novo, desistir da perseguição. Inclua aí o deslocamento até a cidade, e mais DUAS HORAS DE FILME!
- E os trailers.
- Sim... E os trailers.
- Sei não. Ainda acho que dá tempo. 
- Pessoal! Só o filme tem duas horas! O DOBRO do tempo que vocês acham que tinha!
- Nunca vamos saber se não tentar, não é?
 - Okey... Filme então. Vocês viajam uma hora inteira desde o coração do labirinto até o cinema da cidade... Mas dá tempo.
- Er, mestre... tá escorrendo sangue do seu nariz. 
- O filme é muito belo. Tem borboletas e flores coloridas para todo o lado.
- pessoal, ele tá com um olhar perdido.
- Daí começam as explosões, a adrenalina! O Mocinho e suas façanhas incríveis.
- Eu... vou ligar para a ambulância. 
- E aí chega o vilão do filme.
- Eu me transformo num alienígena!

"Ser Mestre é padecer no paraíso"

Baseados em eventos presenciados em PBEMs da vida.
Original: Outubro de 2005.

"Enfim os bravos cavaleiros seriam recebidos pelos reis se passassem pelos desafios que aguardavam atrás das portas. O místico do grupo adianta-se à porta e...”.

- EI! ei! - reclama o player que interpretava o Místico. - Meu personagem nunca adianta-se a nada.
- Bem... você quer que outro abra a porta?
- Não... serei eu! mas não "me adianto" a ela. 
- Mas como pretende abrir a porta então sem ir a ela?
- Eu vou à porta... mas não me adiantando! Meu personagem é um dos cinco magos da fabulosa ordem que eu inventei! Ele "caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a maçaneta"!

O Mestre balança a cabeça.

"O Místico caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a ..."

- Parôparô! - grita o tecnocrata arcano. - Não abra a maçaneta! É isso que os reis querem!
- Hã? - fala o mestre espantado.
- Os reis querem que passemos por esses desafios, então, há algo estranho...
- VOCÊS querem a audiência com os reis! Não eles com vocês!
- Está bem... Mas eu tive uma idéia: Eu tenho toque de energia e uma luva de pelo de urso albino bisurado. Eu uso a luva e Toque de energia para ouriçar os pelos à minha frente, enquanto aproveito e uso todas as minhas demais vantagens simultaneamente para parecer que estou mais à frente do que estava... então, é melhor eu abrir a porta.

- Okey... 

"O Místico ouve a teoria paranóica do Tecnocrata com"...

- Ei! ei! Meu místico não ouve teorias! 
- Eh... o problema é com a palavra "teoria"? Foi uma romanceada que eu...
- Não... é a palavra "ouvir" que não gosto.
- Eu não vi na sua ficha que ele seja surdo...
- Mas qualquer um "ouve". Ouvir é vulgar. Ele... (folea o dicionário) contempla! Isso. Seus sentidos são tão especiais que ele contempla com os ouvidos o que lhe é anunciado.

- Contemplar é com os olhos, porque... ah, Esquece...

"O Místico contempla a teoria do tecnocrata, que toma a liderança do grupo. Ele então..."

- Meu personagem pergunta "Ei! O que é porta?".

- Hã?

- Meu personagem é metaliano lembram? Ele nunca viu uma porta. Viaja no interior de naves vivas que usam válvulas entre compartimentos.

- Você deve ter visto pelo menos uma dúzia de portas entre esta cidade e a anterior. porque cismou nesta agora?

- Porque ele não conhece o mecanismo e precisa conhecer se vai viver nesta realidade ... por hora.

- Considerando que ele não tem "inculto", e possui Int divina, acho que mecanismos mecânicos simples sejam compreensíveis... ainda mais após o transplante de medula óssea que você procedeu ha pouco (e que não sei porque eu permiti)

- Mas olha que roleplay legal... ele desconhece a Porta!

- Okey dokey... 

"A Bondosa NPC do grupo (que eu não ouso tirar para alguém falar a coisa certa na hora certa) explicava para o Metaliano o que era uma porta, e nesse ínterin, o Tecnocrata gira a maçaneta e..."

- Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça pois com nossa missão de chegar ao fim dos desafios entraremos em contato com os reis negros que precisamos contatar para seguir à próxima etapa com a bênção de meu deus patrono jerimum e de toda a corte celestial do Monte Phyton não desistam nunca pelos poderes do Jerimum!!!Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça!

- Hãã... o que foi isso?

- Foi uma coisinha que meu paladino druida falou no meio-tempo em que o tecnocrata mexia o braço e o exato momento em que ele tocou na maçaneta.

- Ele respirou em algum momento?

- Não! Só se aparecesse algum NPC respeitoso que deveria nos dar alguma informação, aí ele daria um apelido maldoso como se quisesse perder o único aliado possível em todo o reino.

- Bem... Não... apareceu ninguém.

- Então, só posta o que ele falou...

- Ele é druida mesmo? eu nem lembrava.

- É sim... mas dedica-se mais ao seu cargo de paladino.

- Tá certo.

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo contemplado pelo místico..."

- Ei! ei! meu místico não contempla isso não!

- Mas... VOCÊ me corrigiu dizendo que seu místico não ouvia e sim contempla...

- Mas aquilo era para teorias absurdas! Verborréia de paladino são... (foleia o gibi do Garfield) "presenciados auditivamente!".

- ... e o que ele faz perante ofensas grosseiras à mãe que o pariu?

- Hein?

- Esquece...

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo presenciado auditivamente pelo místico... O Ladino do grupo encara o ato temerário do Tecnocrata"...

...¬¬...

- Ouviu "ladino"?

- Hã?

- O Tecnocrata está prestes a abrir uma porta sem verificar armadilhas.

- ... Eu tava distraído... o que houve?

- Isso que eu disse.

- Ah, tá... vou usar meus talentos ladinos ... para ficar invisível.

- Hã?

- Não! - grita o metaliano. - Eu vou ficar invisível antes dele...

- Tá... ficamos invisíveis.

- ... continuamos.

"O Tecnocrata começava a girar a maçaneta potencialmente perigosa e que se algum ladino checasse armadilhas e encontrasse alguma o mestre seria obrigado a dar XP de graça... e então..."

- Ei! para que essa pausa grande?

- Para caso alguém com talentos de ladinos queira interromper.

- Eu tenho talentos de ladinos, mas ... nhééé... fico na minha.

- Tem certeza que não quer por em prática seu "procurar armadilhas"?

- Eu checo! - fala o abaforado (sim, eu tb foleio revistas do Garfield) Metaliano. - Eu quero procurar armadilhas.

- Eh, mas você não sabe nem o que é porta!

- A NPC me explicou. Agora eu uso meu conhecimento de porta e minha inteligência metaliana para destrancar a porta.

- Bem, Como você não é ladino e a NPC é incapaz de falar tanta coisa em espaço de tempo quanto o Paladino Druida do Jerimum, se não encontrar é mais provável que seja porque você é incapaz de reconhecer uma armadilha, e não que não tenha armadilhas, entendido?

- Claro! - fala o metaliano orgulhoso.

- Hm.... Você não encontrou armadilhas.

- meu personagem fala pro Tecnocrata: "Com certeza absoluta não tem armadilhas nenhuma nessa porta"...

- "Ai!"... Bem, é isso que seu tecnocrata ouviu...

- Então... - fala o Player do tecnocrata. - Abro a porta de vez para não ouvir outro discurso do Paladino...

- Espera aí que eu quero falar mais...

- tarde demais, "Jerimum". - fala o mestre.

"O Tecnocrata abre de vez a porta e é atingido pela armadilha de dardos venenosos".

- Ah é... Fora essa aí... - resmunga o metaliano.

- Parôparô! - interrompe o tecnocrata. - Minha luva possui pelos eletrizados sensíveis a deslocamento de ar! Eu deveria perceber a vibração dos dardos e testar uma "Esquiva Matrix"!

- Eu quero usar meu Focus 9 em madeira para empenar a madeira dos dardos para não furá-lo.

- ô Metaliano... Foi uma ação muito rápida!

- Ah! Qualé! Eu coloquei Focus 9! Eu posso fazer TUDO com madeira! Até ganhar dela em velocidade!

- Hã... Meu ladino vai desarmar a armadilha!

- Tarde demais! Vejam o que aconteceu:

"Como a maçaneta era de metal, eliminou a eletricidade estática da luva do Tecnocrata que perde seu direito a testes de Esquiva Matrix. O Metaliano tenta envergar a madeira dos dardos, mas descobrem que eles são feitos de prata, e não possui focus em prata, o que é irônico para um Metaliano. O Tecnocrata, ferido, esbarra no Místico..."

- Ei! Meu místico nunca é esbarrado! Ele olha por cima dos ombros, e é tocado involuntariamente, numa panca muito legal.

"... como eu dizia, é ESBARRADO, mas ESBARRADO com gosto, sem nenhuma pompa ou direito de teste de pose 'nice guy', caindo numa poça de lama particularmente imunda, e contraindo uma verminose que lhe provoca diarréia instantânea! Digna de moleque subnutrido! O Paladino morde a língua e morre envenenado com o próprio veneno druida, e a NPC que servia de bom senso para os PJs ganha o bom-senso de sair de perto desse bando de malucos!"

Todos encaram o mestre nada amistoso, bufando como um cão furioso.

- Tá... e o que tinha depois da porta?

- Antes: Meu ladino procura armadilhas na porta!

sexta-feira, 23 de março de 2012

0 Pulo do Gato

Dentre os felinos o único que salta para trás é o gato. Ele e o tigre são primos. O tigre tinha a maior gana de comer o gato, mas não sabia saltar de nenhuma maneira. Pediu ao gato que lhe ensinasse. O gato ensinou-lhe todos os tipos de saltos. Pra frente, pro lado, enviesado, dar cambalhota no mesmo lugar, etc. O tigre aprendeu tudo direitinho e treinou bastante sempre visando comer o gato.
Um certo dia o gato estava distraído e o tigre pensou é hoje que ele vai pro papo. Se aproximou pela frente pra não ter escapatória. Na hora que deu o salto fatal o gato deu uma cambalhota para trás e escapou das garras do tigre. O tigre então reclamou: pô esse tu não me ensinaste...! E o gato respondeu: se tivesse te ensinado nessa hora eu estaria morto.
Daí surgiu então o fato que ninguém ensina o pulo do gato.

Fonte: Dicionário Urbano

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

... O que anda faltando á juventude

Hoje, na verdade, ha minutos atrás (08:54 de 10/11/11), fui ao banheiro da empresa. Lá, estavam dois senhores conversando. Eu lembro apenas de um, e não havia visto o outro. Ouvia sua voz, e a pessoa constatada respondia, então supus que estava em uma das cabines sanitárias.

Conversar em banheiro era estranho, ainda mais um na pia e o outro no vaso. Mas relevemos: 


Eu não estava prestando atenção no momento. Mas pelo que pude entender, alguém (filho de amigo ou parente, imagino) entrou numa briga durante uma festa e terminou até com perseguições em cidades no interior, com o protagonista escondido em uma velha fazenda e o perseguidor empreendendo rondas vingativas!


Arrependi-me de não ter prestado atenção... Parecia um ótimo filme de suspense!


Bem, a conversa foi longa... Eles já estavam conversando quando eu cheguei, procedi o ritual do "nº 2" e a higienização, e ainda contavam da história, pausando para seu juízo de moral.


Mas eles ganharam minha atenção com uma frase, dita pelo homem na pia quando seu companheiro encerrava a história:


- Isso tudo é falta de Jesus! Se ele estivesse na igreja, orando, ao invés de bebendo em festas, isso não teria acontecido!


Fiquei impressionado pela conclusão! Sob essa ótica, eu poderia dizer que também é falta de sexo com bisões albinos! Se o pobre desventurado estivesse fazendo sexo com um bisão albino ao invés de bebendo em festas e arranjando brigas, Também não precisaria estar foragido dos perigosos encrenqueiros!


Lavava as mãos e vislumbrei o segundo participante da saga. O seu companheiro comentarista permanecia no banheiro a divagar sobre o que saiu errado com a juventude para chegar nesse ponto. A juventude de hoje que, nas palavras dele, "ganha carros mas não ganha limites". 

Agora é culpa dos carros. 


Eu não sou de conversar em banheiros... Bem, de permanecer em um banheiro conversando. Mas lavei mais demoradamente ao perceber que o comentarista iria narrar uma parábola de sua conclusão:


- Um amigo meu, que é guarda municipal, mas é um bom e calmo sujeito cristão...


*

interrompo um segundo:
"mas"? Na voz passiva ficaria Um amigo meu, que é um bom e
calmo sujeito cristão, apesar de ser guarda municipal...

Por que é que um tem de ser excludente da outra? Não sabia que guardas municipais costumavam a ser malignos e estourados satanistas...

... segue.


*

- ... Bom e calmo sujeito cristão, abordou um jovem que estava fazendo alguma coisa errada. Ele falou: 'Cê sabe que é errado o que você fez aí'. O jovem disse: 'Sei. E daí'? 'Daí vou ter de aplicar uma multa'. 

*

Deduzi que a "coisa errada" era referente a trânsito, considerando que começou com
"dar carros e não dar limites" e cuja pena é uma multa. 

Imagine se o bom e calmo guarda municipal estava assistindo um jovem
fazendo sexo com bisão albino?


*

- 'daí vou ter de aplicar uma multa!'. O moleque disse: 'Pode dar. mas você não tem peito de ferro!'


Os dois fizeram cara de horror.


- Aí meu amigo respondeu: 'Não tenho, e você não tem também'.

Imagino um bom e calmo sujeito cristão aceitando esse duelo mexicano. 

Bem, não estava confortável lavando as mãos até os ossos, então saí e não vi o desenrolar da trama do bom e calmo guarda de cristo contra o moleque que tinha carro mas não tinha limite nem peito de ferro. 

Decidi compartilhar com vocês pelo assombro, não por crítica a religiões ou coisa assim. Parei ha algum tempo de escrever para o "politicamente incorreto". Mas admito que ando afastando Jesus (e bisões albinos) da minha vida. Senti isso porque hoje, antes de começarmos a atividade, rezamos o "Padre Nosso". Mas eu tinha assistido uma paródia de "de volta para o futuro" e estava com a música tema do Marty na cabeça. Posso jurar que encerrei a oração com:


"... mas não o deixeis cair em tentação


Mas livrai-nos do mal...


That's the Power of
Love!♪"


... E o sinal de cruz.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Palhares: A Paranóia

A nossa empresa trabalha com elementos perigosos, maquinário pesado, e poluição. Quando uma empresa atinge certo tamanho, e com esse perfil, a cobrança sobre ela é estratosférica... Cobrança estratosférica possui um termo técnico no mundo científico:

Paranóia.

Entendo exigir máquinas bem-testadas para erguer um container de 300 "X" que pesa coisa de uma tonelada e meia, Admiro exigir que estivadores usem capacete dentro do Depósito 03. Aceito quando os seguranças da empresa recebem poderes extraordinários de parar e alertar os empregados que estejam transitando sem o cinto de segurança...

... Mas quando chega na copa essas disciplinas, aí começo a achar que passou dos limites.

Funcionários como eu não podem trocar a garrafa de água do bebedouro nem o pó da cafeteira se não tiverem o devido treinamento!

Devido treinamento... Para colocar uma garrafa!

Claro, exige certa força muscular para mover os garrafões. Mas nem para ser aqueles grandes de 20 litros... Eu imagino que seja o mesmo dos macacos... Pegar uma peça redonda e ver se não tenta encaixar num buraco quadrado.

Para manter a paranóia funcionando, denunciando os motoristas sem cinto, os estivadores sem capacetes e os macacos não-treinados na arte de trocar o pó do café a empresa criou uma "comissão". São funcionários que possuem tempo de sobra em sua vida para assistir a seminários chatos, torna-los mais chatos e passar para os demais. Veja bem: Não falo de CIPAs de empresas, mas alguns órgãos vinculados a elas... Mas soube de algumas CIPAs que são assim.

Mas para não ser processados, Chamemos o que eu me refiro como "COMI".

Bem, a COMI na minha empresa não é uma CIPA... e acho que não teria autoridade nenhuma para coagir funcionários efetivos, a não ser sugerindo atitudes aos supervisores e gerentes para sofrer algumas sansões. Tal qual aqueles moleques da quinta série que grudava nos bullyings e dizia "Olha lá! Ele não te deu o lanche da merenda! Bate nele!". Isso deve deixar claro como eu me sinto em relação a este sub-orgão de mentecaptos.

Então, quando sou chamado pelo Doutor Ataliba - gerente de segunda linha - para responder a um "evento de inobservância da COMI"... já fui pensando no que poderia ter sido. Minha função é estritamente administrativa, numa sala. Será que alguém viu meu abridor de cartas fora da gaveta? Será que foi quando eu espetei meu dedo num grampo preso no grampeador?

Começo meu martírio de caminhar até a salinha do Doutor Ataliba. Porque os desgraçados não levaram isso só para o CIPA? Ou para meu supervisor imediato? Diabos, até para o Gerente de Primeira Linha! O que foi? O dono da Mina não voltou de Aspem para ouvir sobre o cadarço de meu sapato não-corretamente amarrado?

Eu não sei ainda porque minha surpresa ao ver pela divisória transparente da gerência que o membro da COMI que me aguardava na sala do Doutor Ataliba era o Palhares!

Palhaaaares...

Aí desisti de tentar adivinhar o que poderia ter sido... Não ter contado a carga de "X" trinta vezes a cada passo dos dez metros que separa o galpão de recebimento do depósito dele, não ter sorrido quando ele me fez assistir enquanto ele contava de novo, terem entrado com a senha de outro funcionário no meu terminal...

Mas, pela curiosidade mórbida, me abstive. Bati no vidro, e recebi o gestual de que poderia entrar.

- Tudo bem, Senhor Ivan? - começou o gerente.

- Tudo... Algum problema? - pergunto retoricamente.

- Como tem estado de saúde? - pergunta.

- Nada que possa me queixar.

- E o trabalho? Vai bem? Problema com os prazos?

Caramba... Aquela bola levantada e o Palhares lá com cara de nádegas... Mas já estava enrascado, preferi não entrar defensivamente.

- Só o suficiente para me manter ocupado. - respondo.

- Eu... soube de... - falou, introduzindo o tema da aventura desta semana. - O senhor teve um problema...

- Problema? Eu? - pergunto surpreso. - Qual seria?

- Soubemos que teve um episódio na copa.

"Troquei o garrafão? Coloquei café na cafeteira? Eu usei o micro-ondas uma vez, mas não fiz curso... Será que foi isso?" - comecei a me penitenciar antecipadamente... Mas lembrei que seria impossível prever o que foi...

... Afinal, era o Palhares!

- Eu não estou certo de que saiba do que se trata...

- Nos disseram que o senhor atirou o açucareiro no chão porque não tinha adoçante.

- Eu jo... Joguei?

- Isso parece-nos um sinal de ... Estresse. - interrompe Palhares. - Estamos preocupados com você.

Há... Essa é boa... Palhares preocupado comigo.

- Senhor... eu realmente nego que isso tenha ocor... Espera aí!

O incidente vem a minha memória.

- Foi o de quinta-feira passada?

- Precisamente. - fala Doutor Ataliba. - Possuímos convênios com psiquiatras laborais ...

- Nanananão. - falo então, rindo. Meio que alívio após o mar de loucuras que ia me passando frente à paranóia das COMI. - Eu não JOGUEI o açucareiro no chão. Eu derrubei!

- Jogou... Derrubou... - fala Palhares, dando com os ombros, como se não houvesse diferença entre um verbo e outro.

Sim, o mesmo Palhares que me perguntou trinta vezes pela contagem de "X".

- Eu quis dizer que não Joguei no chão um açucareiro! Eu estava colocando açúcar no meu café e derrubei! Foi um acidente. O açucareiro é de metal, não quebrou nem nada.

- Mas consta no relatório do Sobrinho que o senhor jogou o açucareiro no chão porque não tinha adoçante.

- Sobrinho de quem?

- Sobrinho, dos serviços gerais.

Esforço um pouco em me lembrar, e enfim recordo. É o "Valeu campeããão".

- Ele falou isso? - falo surpreso. - Eu lembro de ter aberto um chamado e ele ter atendido.

- Abriu um chamado por não ter adoçante? - pergunta Palhares.

- Não! Para limpar o açúcar do chão. Segundo o Documento Interno de Publicação, eu não tenho treinamento para operar uma vassoura e nem tenho EPI para abrir a lixeira. Acho que aí eu comentei com ele que eu estava meio que desajeitado com o açucareiro, sabe, porque eu uso adoçante normalmente. Fui tentar fechar e meti a mão na colher.

- Senhor Ivan... - fala o Doutor Ataliba. - O registro consta que o senhor jogou o açucareiro ao chão devido à ausência de adoçante.

- O Filho deve ter anotado o que eu dizia enquanto eu relatava no telefone Não teve nada a ver! - defendi.

- O filho de quem?

- Filho... Neto... Ah, Sobrinho! O rapaz do SG.

- Se me permite... - começa Palhares... Ah, Palhares... - Não é a primeira vez que uma impaciência por parte sua causa algum transtorno no ambiente.

- Impaciência? É os containers de "X" de novo?

- Senhor Ivan - fala o gerente... Esse que eu não podia nem responder à altura. - Aqui mesmo dá para ver por sua linguagem corporal sua postura defensiva, seus olhos correrem de um lado para o outro...

Como dizer que uma inquisição espanhola iniciada por açúcar no chão, que todo o conceito do COMI, e claro, a presença sempre bem-quista do Palhares, esta entidade que personifica a burocracia e a falta de limites era o motivo de meu constante tormento?

- Eu vou ... procurar melhorar, senhor. - falo submisso. Era como os containers do Palhares: Resistir só prolongaria a agonia.

- Vou recomendar ao seu gerente de primeira linha que recomende a seu supervisor que recomende ao CIPISTA do seu departamento que inclua na próxima relação de exames médicos periódicos uma entrevista com psicólogo e avaliação de estresse.

Ah, os CIPAs fazem isso também? Bom saber!

A boa notícia, fruto desta nova jornada à insanidade humana, é que hoje em dia não falta mais adoçante.

A má é que quem não toma café com adoçante precisa ligar para alguém do S.G., porque saiu daquela sala mesmo um Documento Interno de Procedimento exigindo treinamento de todos os que fossem usar o açucareiro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Retorno de Palhares

Nada como terminar a manhã de Segunda-feira com o Palhares.

Sim, o Palhares! O mesmo que me fez perder uma manhã inteira no Armazém de "X", o qual ele "supervisiona".

Meu mecânico trabalho rotineiro é interrompido quando o boy traz meu lanche, acho que seu nome é "Filho" ou "Junior"... "Neto", “Segundo” talvez. Eu chamo ele de "Valeu campeããão" para disfarçar que ele está ha quase um ano na empresa e eu nunca me dei ao trabalho de aprender seu nome.

Parece cruel, mas na esteira da ala administrativa da mina onde trabalho, somos peças do maquinário com funções variando de grau à nossa faixa salarial. Tem aqueles que só possuem apelidos como "Valeu campeããão", tem aqueles ligeiramente acima deles, como eu, que chegam a ter seu primeiro nome... "Ivan" no meu caso, e tem o Palhares. Os quase superiores. Aqueles por quem tratamos pelo sobrenome.

Um dia eu chego a esse status... Só será estranho os estivadores e o "Valeu campeããão" me chamando de "Paixão".

Só para completar, depois volto ao Palhares: Tem os Gerentes, aqueles que atendem por "Doutor" e mais um dos nomes - pode ser o primeiro ou o sobrenome... Não decifrei ainda o código - e porfim o dono da Mina, que atende por "Doutor" e seu nome completo.

Tipo na oração explicativa "Ivan, o Palhares é interino de Doutor Ataliba enquanto ele viaja com Doutor Augusto Aguiar" dá para ver os "macaquinhos" na manjada escala evolutiva humana. 

Okey, Palhares agora.

Se vocês se lembram, ele é o supervisor do armazém de "x"... Na verdade do Depósito 03 que usam peças de certa metragem - dentre as quais estava os 525 "x". Eu, recebo e repasso os produtos todos que chegam. Somos departamentos diferentes, com um único ponto de intersecção, que é quando os produtos que eu recebo são destinados à armazenagem no Depósito 03.

Então, não posso descartar o fato de Palhares estar no meu departamento ser por motivo de trabalho. Então ele se aproxima. Logo depois de eu receber meu sanduíche e meu guaraná do "Valeu campeããão".

- Ô Ivan... - aborda, após tossir. - Posso usar rapidinho seu ramal? É interno!

Traduzindo aos leigos: "interno" quer dizer que é para ligar de ramal a ramal, ou seja, não usar a linha telefônica para fora, que é a que cobra tarifa e se for particular desconta de meu mínguo salário. 

 Apesar dele ser um "sobrenome", ele não é meu superior funcional. Não era de meu departamento, oras! Mas não vi na hora problema em poupá-lo de caminhar até o longínquo armazém de "x" para verificar algo. "Claro!" - falo cordialmente, estendendo o fone do aparelho e as teclas tão distante quanto o enrolado cabo permitia.

Ainda tinha coisas a fazer antes de ir ao meu almoço, então continuo à máquina, trabalhando, enquanto ele discava e esperava o cara do outro lado atender. Mas nisso não tem como ignorar aquele senhor de 50 anos debruçado sobre meu ombro por causa do fio curto. E o gênio do outro lado não atendia prontamente. Eu poderia ir para baixo de minha mesa conseguir mais cabo para ele, ou ceder meu assento.

- Quer se sentar um pouco, Palhares? - pergunto. Retoricamente, já que o desconforto era visível. Ele agradece com um sorriso e um gesto de mão, e mexe a boca. Como se dissesse algo, mas não queria que o interlocutor ouvisse. Supus que já estavam atendendo.

Não prestei muita atenção até por questão de educação. Mas estar nas cercanias me permitiu ouvir palavras soltas e montar a história na mente. Ele mencionou um outro "sobrenome" e depois as palavras nessa ordem mas interligadas por outras: "férias", "rapaz, esqueci, acredita?" e "caixa de correio". Também tosse um pouco. Reparo que ele meio que tossiu algumas vezes no dia de hoje.

- O Ivan... - fala ele tampando o fone com a mão. - Desboqueia aí seu terminal para eu pegar um arquivo!

Eu reparo que não foi um pedido como o de usar meu Ramal. Palhares deve saber que eu não sou um "sobrenome" e que gente como eu ter um ramal é um privilégio, e Doutor Augusto Aguiar deixava isso bem claro nas reuniões bisemenstrais com toda a força de trabalho.

Mas eu sou cordial e consigo incluir mais aquele favor no contexto original. Afinal, era coisa de trabalho. Dava para relevar a estranheza até então... Pressiono as teclas secretas (ao menos ele não ficou encarando quando eu digitava o nome da minha filha, que é minha senha). 

Ele realmente foi direto no ícone da caixa de correio interno, que pediu prontamente a identificação. Ele desligou o ramal, e escreveu no nome do usuário: "ataliba". Esfrego os olhos e constato que quem estava na minha cadeira era o Palhares, não o Doutor Ataliba.

Ele pega o telefone de novo. Desta vez não pedindo autorização. Numa fração de segundos eu novamente enquadro no pedido anterior, embora desta vez estava sendo completamente ignorado.

E desta vez ele clica "jogo da velha". O sinal para ligação externa.

- O Doutor Ataliba não me passou o relatório antes de sair de férias. - fala ele, como se percebesse que sua indiscrição estava indo um tanto longe. Tosse mais uma vez e olha por alto minha mesa. 

O sistema de correio interno não precisa do "doutor", mas nós, meros nomes e os orgulhosos Sobrenomes da empresa, precisavam. Ele assenhorou-se da autoridade de um gerente - este chefe de nós dois em comum - para conseguir de mim um pouco mais de tolerância. Por isso, eu mantenho-me em silêncio.

- Bom dia... O quarto do Doutor Ataliba, por favor? - continua Palhares no ramal. - Tudo bem... eu espero. 

 Não... EU estava esperando. Era uma ligação externa no MEU ramal, que outro sobrenome iria averiguar, e eu precisaria comprovar que era assunto de trabalho. Ótimo que era para o Doutor Ataliba, mas como foi que um "Ivan" conseguiu o número? Lembrem que ele estava de férias com o maldito dono da mina!

 Enfim, o nosso gerente esquivo atendeu e trocou informações. "Como é que tá aí em Aspen" e coisa e tal. "Chegaram os "x". 525 unidades. Libera o pagamento". E enfim:

- Me passa aí a sua senha que eu pego no seu correio! - fala nosso herói.

Eu queria sentar... Mas o Palhares estava na minha cadeira. 

Doutor Augusto Aguiar deixou bem claro a proibição de usarem as senhas uns dos outros, e alertou que os terminais eram constantemente monitorados para identificar quem descumprir a regra. Palhares estava no meu terminal, desbloqueado com a minha senha, entrando na conta de um gerente! Claro que na manhã seguinte meu supervisor iria me chamar na salinha.

Recordo-me que um dos expoentes dessa libertinagem de senhas era justamente o Armazém 03. Doutor Augusto Aguiar nunca apontou nomes diretamente, mas imagino que se não fosse o cabeça, Palhares era pelo menos um de seus expoentes.

E agora eu. Sem sequer ter a tênue proteção de ser um "sobrenome", "Ivan" estava incluído nos registros. 

No nervosismo e na confusão mental, o fato do Palhares estar na minha cadeira quando eu precisava tanto sentar me pareceu igualmente grave. Olho atônito quando ele digita os seis dígitos, abre o correio interno, procura dentre os múltiplos e-mails confidenciais do Doutor Ataliba um com o primeiro termo "relatório" no Subject.

Eu já me senti um espião industrial por ter lido o nome "relatório"!

Eu viro o olhar e acompanho só com a visão periférica. Ele repassa para outros dois e-mail... E enfim fecha. Em algum momento enquanto fazia isso, ele acalmou sua tosse com o guaraná que "Valeu campeããão" trouxe para meu almoço. Não consegui precisar quando.

Enfim, ele agradece (longamente) Doutor Ataliba, desliga o telefone, manda desligar meu computador - sendo que eu ainda tinha coisas para fazer antes do almoço (que tinha começado ha dois minutos) e me agradece o favor.

Claro, no vão de saída, ele vira-se para mim e pergunta:

- Quem é "Suzana"?

- M-minha filha.

- Ah! - fala enfim. E some pelo resto do dia.

domingo, 14 de agosto de 2011

Batman - A franquia do ilusionista

Eu não posso parar de pensar na forma que os ilusionistas trabalham quando penso nos filmes de Batman. Um mágico não é o cara que faz a moeda desaparecer, e sim aquele que a traz de volta. 

Ao contrário dos feiticeiros da idade média, sabemos que estamos vendo algo que não é real. Mas aceitamos e até queremos ser enganados. E quando descobrimos como se faz o truque, um pouco daquele espírito morre.

Calma, que mostrarei meu ponto em breve:

O primeiro filme do Chris Nolan, "Batman Begins", tinha um único grande expoente nos trailers: O Batmóvel. O "Bat-tanque" massavéio como diria os MDM. Ao redor desse grande tanque de guerra, mencionavam Lian Nielsen como o treinador, dava relances no Raz Al Ghoul - o mais temível vilão do Batman para quem lê quadrinhos. Mas o Batmóvel era tão chamativo que ninguém queria discutir nada fora aquilo... "Será que presta"? "será que vai ficar uma porcaria"?
 Quando o filme saiu, todos curtiram o batmóvel, mas o que realmente chocou a platéia foi o próprio nascimento da lenda... E o fato que Lian Nielsen, ao contrário das expectativas, ERA Raz Al Ghoul.

O segundo filme, o mais bem-sucedido filme de super-heróis da história - não só em termos de retorno financeiro. O Batman ganha um "Bat-pod". Mais STYLE que um tanque de guerra, mais ágil. E esse coringa de vilão? Heath Ledger? O cara do filme dos cowboys gays? Aparece do nada gritando "Matem o morcego!"? Como esse cara vai convencer? Ainda mais num tema batido como esse?
 Bem, este foi o mais bem-sucedido filme de super-herói da história, um dos mais bem-sucedido do mundo (e muito mais profundo que Titanic e Avatar do James Cameron). Todas as cenas do trailer, incluindo citações, acabam antes da metade do filme. Tudo é novo. O confronto do Batman e do Coringa não é mais um batpod contra um caminhão dando cambalhota, mas a alma dos cidadãs de uma cidade que, no filme anterior, não conseguia nem denunciar policiais corruptos.

Agora volto ao ilusionismo: Como o mágico tira a moeda de nossa atenção? 

Nos distraindo. 

Ele mostra o lenço. Ele embaralha as cartas. Ele mostra o que você quer ver com a mão direita enquanto a esquerda a moeda sai de um lugar para o outro. A carta marcada fica em posição. 

E "Voalá". A platéia é surpreendida. O que nos mostraram era curioso e divertido, mas a magia se revela surpreendentemente. Estava tudo lá, mas escolhemos ignorar. A prestidigitação foi brilhante, mas nossa surpresa espontânea eleva à categoria de sobrenatural o espetáculo.

Alias, Christian Bale ESTAVA em "The Prestige".

Decidi escrever isso porque, após o mais bem-sucedido filme de super-heróis da história do cinema, muito peso traz este último capítulo da trilogia. E nos últimos meses a internet tem sido inundada por fotos e vídeos da mulher-gato de colante (mi-au!) e do novo trambolho massavéio: O Batwing.

Seguem os vídeos... assistam e criem expectativa.

Afinal, nada nesta manga...



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Palhares

Situação: uma empresa grande recebe dois engradados de grande tamanho, um ligeiramente
maior que o outro. Eles são acompanhados de uma Nota Fiscal, indicando de tratar de 525 produtos "X" em dois volumes. Na tampa do engradado maior dizia "300 unidades". Na do menor, "225".


A empresa faz uma triagem documental, no qual contar-se-ia os itens, e daí, libera-se para o Estoque guardá-los até serem solicitados - em bloco ou individualmente.

Por algum motivo, Palhares, responsável pelo Armazém de "X", chama o recebedor Ivan para comparecer ao depósito. Este interrompe suas atividades, calça os equipamentos de segurança necessários para ingressar nos armazéns de produtos pesados, e se apresenta a Palhares. 


- Ivan, eu tenho uma dúvida.

- Pode falar.

- Você contou esses engradados de "X"?

- Eu acompanhei a contagem.

- Mas não contou, não é?

- Acabei contando sim. Eu assistia aos estivadores tirando das caixas e contando, e fiz minha própria contagem mental.

- Ah, tá.

- Era... era isso?

- Bem, você contou, né?

- Sim, eu contei.

- E estava certo?

- Naturalmente... Ou eu não liberaria a Nota para armazenagem

- Foi você quem escreveu as quantidades nas tampas?

- Eh... não. Veio do fornecedor, mas estavam corretas. Trezentos "X" no engradado maior, e 225 no menor.

- Mas quando guardou, não tem risco de ter ficado mais num do que deveria, não é?

- "Riscos"?

- Tipo, se eu mandar este maior, vão trezentos?

- Eu acredito que não.

- "Acredita"?

- Eu não acompanhei o transporte do galpão até aqui, nem a recolocagem dos itens

- Mas contou, não contou?

- Sim. - fala Ivan, já ficando impaciente.

- Então, não há nenhuma possibilidade de estar errado.

- Não da minha parte.

- Como assim?

- Eu me certifiquei que tinha tudo, e saí. Os estivadores devem ter guardado. Eu posso ver daqui que o engradado de 300 "X" estão bem alinhados, e ocupando totalmente o espaço... O que é um sinal de que está tudo certo. 

- "Sinal"? - insiste Palhares. - Então pode estar errado?!?

Cercado, Ivan encolhe os ombros.

- O que eu posso dizer? A Companhia tem estrito sistema de procedimento, mas nada é certo. Até na física teórica pode itens materializar-se e desmaterializassem em pleno ar. 

- Mas eu quero só que você me diga se contou os itens.

- EU ... CONTEI... OS... ITENS! - Ivan não mais conseguia ocultar seu desagrado. 

Mas por algum motivo de criação, Palhares interpretou como se fosse insegurança.

- Mas e se estiver errado? Se um dos "X" de um engradado estiver em outro e vice-versa?

- Isso não invalida minha contagem.

- Mas e se estiver faltando um?

- Vai indicar que algum produto caiu no galpão de recebimento, ou foi roubado, ou se desmaterializou no ar. 

- Mas quem vai pagar por isso sou eu...

- Na verdade, há um procedimento de procura. Se estiver no galpão de recebimento, vamos perceber antes dos produtos sequer serem solicitados. Se foram roubados, bem, qual a aplicação do "X", uma peça de cinco quilos que serve para funcionamento de uma bomba específica da nossa empresa, no mercado negro da prospecção? Se fosse material de escritório ou eletrônicos... Mas "X"? Por fim, no caso de desmaterialização espontânea, é fisicamente improvável que ocorra, e mais ainda numa situação de desconfiança como esta. 

- Eu só quero ter certeza absoluta de que você contou e que está tudo certo aqui. 

Ivan respira fundo, encara os próprios pés, e enfim, com a voz mais serena que podia produzir, pergunta:

- Palhares, se eu dissesse que eu não contei... O que você iria fazer?

- Eu iria ter de contar eu mesmo tudo de novo.

- E esse papo estaria encerrado?

- Sim.

- Pois bem, Palhares, você me pegou. Não tenho como superar sua perspicácia. Quando eu vi que o fornecedor carinhosamente enumerou as quantidades nas tampas dos engradados, eu confiei na boa fé dele. Eu não contei os materiais.

- Tudo bem. Agradecido. - bufa Palhares, pensando no trabalho de contar todos os "X" nos dois engradados. 

Ivan olha seu relógio. Havia perdido boa parte da manhã naquele exercício de futilidade, mas talvez pudesse diminuir seu atraso. Senta-se na sua cadeira, descalça as desconfortáveis botas, tira o EPI necessários ao acesso aos armazéns, e recosta-se na sua cadeira. 

Antes de qualquer tecla ser acionada, Jerônimo, o supervisor, chega a sua mesa. 

- Ivan, o Palhares pediu para você dar um pulinho no Armazém de "X" para acompanhar uma contagem.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Ventaval - Um desabafo digno do Saramago

Vendaval é um fenômeno. Fenômeno da língua portuguesa: Como uma palavra cuja raíz é "vento" se torna "vendaval" em vez de "Ventaval"?

Eu lembro quando descobri essa palavra na Primeira Série. Eu já tinha ouvido falar na expressão mas por um evento de pareidolia entendia "VenTaval", até que usei em um dever de casa. A Tia circulou de vermelho o "T" e baixou minha nota. Quem me conhece sabe que minha letra é meio garranchuda - e com "meio" quer dizer graças a deus existe o teclado! - então achei que a Tia... Bem, a Professora, entendeu outra letra. Talvez um "D"! Que absurdo, né?

Teve então um segundo dever de casa, no qual eu caprichei nos meus "T"s para mostrar que aprendi a lição. No finalzinho da lição até empurrei a palavra "Ventaval"... Com um T muito bonito, elegante, com corte vertical claro mas não exagerado, e bom distanciamento das demais letras.

Mas ela cortou DE NOVO o "T". Mas desta vez só do "ventaval".

- Tia, faz o favor. - Falei chamando a atenção. - A senhora não entendeu isso aqui?

Ela olha e diz:

- Não. Entendi sim. Está errado.

- Mas isso aquí é um "T".

- Eu sei.

Coçei minha jovem e confusa cabeça.

- Então o que está errado?

- É "Vendaval". O correto é com "D"

- Não, não é. - falei na bucha. Não fazia sentido! Sequer hesitei em corrigir a profissional de ensino que deveria ter uns 80 anos a mais que eu.

 Minhas memórias da continuação da prosopopéia são vagas, mas tenho certeza que não saí convencido. Eu sei porque mesmo hoje, segundo grau completo, dois níveis superiores, e usando a palavra escrita (bem, teclada) como instrumento de trabalho, não me conformo que os Romanos, os Piriepos e os Portugueses tenham colocado um "D" no derivado de "Vento". Ainda mais com tantas outras formas usando um "T".

 ♪Vento ventania, me leve para as portas do céu...♫

Se tem muito mato, você tem um MATAGAL ou um MADAGAL?

 Bem, eu não errei no título, caso alguém queira me corrigir. Considero mais uma das aberrações da língua portuguesa. Tal qual o "s" com som de "z". Mesmo hoje eu preciso parar e avaliar - ou mesmo apelar para o corretor ortográfico - ante palavras como Empresa, Crise e Talves Talvez.

PS: Tive um problema semelhante com o "muito". Em outro dever, a Tia circulou uma consoante no meio da palavra.

- Ah, não! - revoltei-me. - Vai me dizer que "muinto" é com "M" no meio, não vai?

Ela olha para mim horrorizada.

- Nem com "m" nem com "n". Não tem nada entre o "U" e o "I"

- Como assim? É "muito"?!?

- É!

- "Muy"... "tóh"?!? - insisto incrédulo, com longa pausa silábica.

- Sim.

- Mas se pronuncia "Muinto"!

- Mas se escreve "muito".

Então, chorando com sinceridade, eu disse:

- Tia... Posso substituir o "ventaval" por "ventania", mas "Muinto" eu uso direto! Não me faz isso! Não tire o "muinto" de mim!

Hoje, faço como o D'zilla: Uso "DEVERAS"!