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sexta-feira, 27 de maio de 2022

Dois loops na história (ou: Por que não deveríamos viajar no tempo)

LOOP 01


 23 de novembro de 1775.

 

Véspera da primeira grande batalha. As forças das colônias preparam para receber a investida de sua metrópole européia. O Grande General reúne seus comandados mais graduados, pesa as opções. A batalha que se seguiria iria definir os rumos da guerra. Se suas nações irmãs iriam se tornar independentes, se iriam rechaçar os estrangeiros que os oprimiram, escravizaram e roubaram suas terras.

Então sentinelas dão um breve alarme. A princípio parecia ser um espião, mas na verdade era um jornalista.


Do futuro.

 

257 anos no futuro para ser exato, da nação surgida a partir das colônias que se uniram para a guerra.


Sua tecnologia o permite entrar ileso no acampamento, mas sua postura pacífica deixa claro que não desejava fazer mal. Ele se apresenta como Lucas Arrelio. E declara que tinha conseguido inventar a máquina do tempo há poucas horas (relativo a ele). Seu desejo era apenas assistir àquela batalha, histórica em seu tempo. Prometia não alterar nada no desenrolar e desfecho.

O General pergunta então: “Ganharemos a Guerra?”

E o viajante diz: “Sim. A grande guerra que começará com a batalha de amanhã inspirará nossa nação. Triunfaremos contra uma força tida como superior. Nosso espírito indomável inspirará outros povos. O eixo do poder mudará para nosso continente, centrado na nossa nação. Isso me deu os meios para, daqui a 257 anos, eu inventar a máquina do tempo”.

O General gostou da resposta. Muitas de suas dúvidas estavam debeladas por aquele patrício de outro tempo.

A batalha começa no raiar do dia seguinte. As tropas chocam-se. A superioridade dos europeus era inegável, mas o presságio de Arrelio era inequívoco. O general marchou sem temer... Até que ficou claro que a batalha estava perdida.

O general recuou no último momento possível com o que pode angariar da armada original, certo que talvez fosse um primeiro movimento. O destino estava escrito, e seria inexorável. Talvez com a derrota na primeira batalha seria o elemento que desestabilizaria a metrópole se tornando convencida e vulnerável. Mas luta após luta, as forças coloniais perdiam.

Eventualmente o general foi capturado e marcado para a execução. Mas ele era o herói. O viajante do futuro disse. Mesmo enquanto esperava os tiros no paredão de fuzilamento, estava certo de que a história se corrigiria.

Com um grito de “FOGO!” tudo acabou.


Arrelio só anos depois percebeu que, por causa da “certeza” que venceria, o seu herói - o general que em seu passado relativístico triunfou e formou a mais importante nação de sua terra - tomou decisões temerárias. Com a certeza do desfecho, ele jamais calculou os riscos. Assumia que tudo acabaria bem porque assim o destino queria. E isso foi sua ruína, ao menos imediata.


A vontade de ferro e inabalável convicção do general, contudo, inspirou uma segunda revolta poucos anos depois. Esta nova revolta não estava nos livros de história do jovem Arrelio. A batalha foi bem mais longa e sangrenta, mas o viajante acompanhou com interesse. O general era o mártir que fez o levante ser convicto e assombrosamente competente. Arrelio já era homem velho quando a metrópole européia reconheceu que não tinha como quebrar o espírito da colônia e abandonou-a. E sua nação surgiu. Doze anos atrasada, mas enfim surgiu.


Arrelio jamais voltou a seu tempo. Viveu entre os primeiros cidadãos, e morreu como um misterioso e incompreendido observador do mundo.

Mas Arrelio renasceria mais de dois séculos depois. 257 anos após a primeira batalha ele estava estudando a sua máquina do tempo. Mas só a concluiria em 2043. 268 anos desde o encontro com o General. Chame de “destino”, chame de “coincidência”, mas este também foi o momento escolhido pelo Primeiro Viajante do Tempo nativo desta linha temporal para observar. A véspera da Grande Batalha da Independência.

...


LOOP 02


23 de novembro de 1775.

 

Véspera da primeira grande batalha. As forças das colônias preparam para receber a investida de sua metrópole européia. O Grande General reúne seus comandados mais graduados, pesa as opções. A batalha que se seguiria iria definir os rumos da guerra. Se suas nações irmãs iriam se tornar independentes, se iriam rechaçar os estrangeiros que os oprimiram, escravizaram e roubaram suas terras.

Então sentinelas dão um breve alarme. A princípio parecia ser um espião, mas na verdade era um jornalista.


Do futuro.

 

268 anos no futuro para ser exato, da nação surgida a partir das colônias que se uniram para a guerra.

Sua tecnologia o permite entrar incólume no acampamento, mas sua postura pacífica deixa claro que não desejava fazer mal. Ele se apresenta como Lucas Arrelio. E declara que tinha conseguido inventar a máquina do tempo há poucas horas (relativo a ele). Seu desejo era apenas assistir àquela batalha, histórica em seu tempo. Prometia não alterar nada no desenrolar e desfecho.

O General pergunta então: “Ganharemos a Guerra?”

E o viajante diz: “Não. Os eventos são vagos, mas sua inegável convicção garantiu que mesmo após a derrota, mesmo após seu fuzilamento, nosso patriotismo será moldado por seu exemplo, e na próxima guerra triunfaremos. Nosso espírito indomável inspirará outros povos. O eixo do poder mudará para nosso continente, centrado na nossa nação. Isso me deu os meios para, daqui a 268 anos, inventar a máquina do tempo”.

O General se espantou com a resposta. Muitas de suas dúvidas estavam debeladas por aquele patrício de outro tempo.

A batalha começa no raiar do dia seguinte. As tropas chocam-se. A superioridade dos europeus era inegável. Então, após testar suas forças, o General ordenou que recuassem, dando aquela vitória aos opressores, mas com mínimas baixas em seus comandados.

O destino estava escrito, e seria inexorável. O general começou a ponderar o que teria feito de errado, e duvidava de todas as suas decisões. E mesmo das dúvidas surgiam dúvidas. Sempre que surgia algum elemento complicador antes das suas forças encontrarem as européias, ele recuava. Deveria ser inteligente, ou ao menos era o que pensava.

Eventualmente o general estava prestes a ser capturado. Seria marcado para a execução, pelo que disse o viajante do futuro. No último momento, ele abandonou a farda e as medalhas, suas honras militares que o levaram ao comando das forças coloniais, e desapareceu na névoa da ignorância da história, sobre um disfarce tão humilhante e vergonhoso que mesmo se as forças européias o flagrassem, não reconheceria aquele que deveria ser seu mais temível inimigo.

A rebelião colonial foi massacrada. A metrópole destruiu todo e qualquer fagulha rebelde nas colônias. Arrelio que assistia a tudo estava crente que em determinado momento começaria o segundo movimento revoltoso, mas este nunca veio. Sua nação jamais surgiu, pois viram a grande guerra como um espasmo ineficaz de um covarde vaidoso. Quem se erguesse contra a metrópole européia seria massacrado, simples assim. O viajante não ousou voltar a seu tempo, pois não saberia o que esperar. Ele tinha tecnologia e meios para vier alheio a tudo. E assim ficou isolado até seus últimos dias de vida.

Anos, décadas... pelo menos dois séculos e meio se passaram. A metrópole escolhia mão-de-obra de sua antiga colônia, hoje um “protetorado” distante, mas igualmente explorado de suas riquezas a míngua dos nativos. Dentre estes, um jovem chamado Arrelio, com uma tese exótica que permitiria a viagem no Tempo. Mas ele era só um “colonozinho”. O que ele saberia? Jamais teve a oportunidade de estudar ou desenvolver suas teorias. Acabou em um emprego repetitivo e burocrático na grande engrenagem da metrópole, e nada mais.
 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

[crônica] - PARDAL

Estava eu lá, e ele lá. Em completo silêncio (vocês verão o Porquê ainda neste texto). Quando de repente, ele vira para mim e solta:

- BORBOLETA.
Ele fala, e olha para mim, como se eu tivesse que completar. Obviamente, procuro ao redor. Olho para ver se ele apontou algo. Mas não... Ele simplesmente soltou a palavra "Borboleta".
 - O que tem?
- Como "assim o que tem"? - revolta-se ele.
Ele está estranhando o meu "O que tem" seguido dum seco "Borboleta"?
Para ser justo: "Borboleta" não foi o que ele disse. Foi um assunto aleatório, espontâneo e igualmente inconclusivo, não necessariamente o inseto alado metamorfoseado de uma lagarta. Substitui apenas para preservar nomes e eventos.
- Você falou "Borboleta" e só! - tento retrucar
- Para bom entendedor, isso basta!
 Creio que estamos deixando o campo da gramática e da hermenêutica, e adentrando na física quântica.
- Bem, eu não sei. Preciso de mais subsídios para saber do que está falando. Tem uma borboleta aqui? Você tem medo de uma borboleta? Você queria ser uma borboleta?
- Você NUNCA sabe de nada! - fala triunfante.
Sim, é o TRIUNFO que ele busca. Mostrar que eu não sou culto o suficiente. Uma vitória quase tão gratuita quanto começar um diálogo com "Borboleta".
- Certo... E o que quer dizer "BORBOLETA"!
- Bah! Como ainda não sabe?!? Esta geração está perdida mesmo! A poluição está corroendo o cérebro!
 Ainda não consegui entender o que seria a conversa de "Borboleta" e já sou o avatar da decadência "desta geração", a qual, pela idade, já não pertenço.
- Chega! - falo enfim. Já tive conversas com poucas variantes (nunca antes “Borboleta”, mas ja tive um “e aquele negócio assim?”) com desfechos idênticos com aquela pessoa para minha paciência, um pavio já usado, estourar rápido. - É impossível conversar com alguém assim! Mesmos e eu soubesse dessa "Borboleta"!
- PARDAL.
 Infelizmente, devido à impossibilidade do meio escrito de transcorrer com precisão temporal a sequência de falas simultâneas, ficou pouco claro, então explico: No final de "com alguém assim!" fiz uma pausa para respirar. E ele falou simultaneamente "PARDAL" quando eu retomei a palavra. Não "Pardal" aquele pássaro, mas um assunto aleatório espontâneo e inconclusivo qualquer omitido para preservar nomes e eventos... DISTINTO de “Borboleta”.
- O que? – pergunto confuso.
- OLHAÍ! - urra ele. - Dando ESCÂNDALO e NINGUÉM MAIS está falando de BORBOLETA! Sempre vestindo a carapuça! Sempre desatento!
 Resultado: ataques de Síndrome de Tourett unicamente para demonstrar que eu sou burro - tal qual minha geração - escandaloso, e desatento.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"ME CHUTE"

* Nova versão

Um gerente, muito ligado naquelas histórias metafóricas e inspiradoras... Um que provavelmente compartilharia a presente crônica... Decidiu fazer um experimento.

Bem cedo no expediente, ele chamou os seus três supervisores mais imediatos. Entregou a cada um dos três uma placa de cartolina com os garrafais dizeres "me chute". Também deu pedaços de fita adesiva e a instrução de começar a ronda de trabalho passando nas mesas e cubículos de seus subordinados, com a placa afixada em suas costas, como se nada estivesse acontecendo.

Feito isso, ele aguardou. O primeiro supervisor chegou depois de algum tempo, ainda com o cartaz afixado. Então, explicou:

- Passei em todas as estações de trabalho, e todos foram extremamente profissionais, e não se renderam á zombaria.

- Isso é mau. - explicou o gerente. - Isso quer dizer que, por segurança, seus funcionários estariam dispostos a mantê-lo em erro para não sair de sua zona de conforto. Vou recomendar para o seu setor uma avaliação de desempenho e uma longa série de cursos motivacionais.

O subalterno baixou o semblante e sentou-se. Pouco depois, chegou o segundo supervisor, com a placa nas mãos. Tratou de explicar:

- Já no primeiro gabinete o César da Contabilidade me alertou da placa e retirou para mim. Eu até andei um pouco e colei de volta, mas o mesmo se deu nas estações seguintes. Enfim desisti, terminei a ronda e voltei para cá.

- Muito bom! - elogiou o gerente. - Isso quer dizer que seus funcionários estão atentos e prontos a sanar suas falhas em tempo hábil. Vou recomendar você e seu setor a um aumento.

O supervisor sorriu e sentou-se ao lado do colega.

Enfim, o terceiro supervisor chegou. Sua demora era visível. Ele trazia o cartaz ainda pregado ás costas e um sorriso amarelo estampado à face.

- Conte como foi sua ronda. - pediu o gerente.

A última cobaia hesitou, mas enfim confessou:

- Em cada uma das estações de trabalho que passei alguém se levantava e me dava um chute...

Os dois supervisores anteriores olharam com horror e espanto tamanha falta de respeito à poderosa hierarquia da empresa. O gerente, calado e sisudo, limitou-se a apontar a cadeira vaga para o supervisor sentar-se, e enfim, tomou para si sua poderosa poltrona, mais um documento pre-impresso que ele preenchia e assinava.

- Vou explicar agora o motivo deste teste. - fala o gerente. - Ontem à noite recebi a informação que eu fui promovido á presidência da empresa, e poderia nomear o meu substituto gerente... Que iria ganhar meu atual salário, benefícios e prestígios hierárquico.

O gerente estende o contrato para o terceiro supervisor.

- ELE?!? - exclama em uníssono os outros dois. - Mas por que justo ele?!?

E o gerente respondeu:

- Porque a equipe dele obedece ordens!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Mestrar é Padecer no Paraíso IV

Padecer na Net

 [Narrador] Vocês são convocados pelo General Adams para formar uma equipe de resposta emergencial, porque são famosos por suas habilidades. Estão todos reunidos na Sala de Guerra, Uma sala com quatro cantos revestida de armas, equipamentos, e uma mesa de reunião no centro. Vocês aguardam o Brieffing da missão. Interajam.

 [Lt. Sunders] Meu Sniper sinistrão fica no canto, só observando os outros convocados.

 [Sg. Montanha] Meu Boina Verde grandalhão caminha até um canto, e fica encarando os demais.

 [Cabo Spitfire] O ranger texano faz barulho enquanto anda para uma das paredes da sala, Recosta nela, e fica pensativo.

 [Cpt. Spitfire] O veterano Capitão ruivo olha ao redor, vê seu irmão mais novo, e os outros que não conhece, e busca mais um canto e fica em silêncio, transbordando sabedoria dos veteranos.

 [Ag. Cahuters] Meu agente da CIA arruma o terno, olha ao redor discretamente e caminha para um canto solitário, dividindo-se dos demais.

 [Narrador] Okey... Não me deram nada para trabalhar aqui, mas segue. A cena... Cada um em um canto... Supomos que é uma sala com cinco cantos a partir de agora. Todos em silêncio por cerca de quinze minutos, quando o General Adams, um militar de altíssima patente entra na sala.

 [Lt. Sunders] Fico encarando o General

 [Sg. Montanha] Eu observo o general

 [Cabo Spitfire] Eu aguardo o general falar comigo

 [Cpt. Spitfire] Eu encaro meu jovem irmão encarar o General

 [Ag. Cahuters] Eu saco um cigarro e começo a fumar.

 [Narrador] Eh, pessoal, vamos entrar um pouco no personagem. Oficiais de alta patente devem ser recebidos com uma continência!

 [Lt. Sunders] Eu aceno levemente com a mão.

 [Sg. Montanha] Eu maneio a Cabeça.

 [Cabo Spitfire] Eu faço uma continência, depois faço "arminha" com os dedos e sorrio para o general.

 [Cpt. Spitfire] Sou um oficial também. Vocês deviam ter batido Continência para mim também!

 [Ag. Cahuters] Eu sou da CIA. Não ligo para essas coisas.

 [Narrador] O general releva a total falta de ... Bem, qualquer coisa. Ele começa a explanação:
- às 18-00 Horas, um satélite espião caiu em território inimigo, e temos razões para crer que uma célula terrorista o apreendeu. Precisamos de um grupo de resposta urgente para recuperar o aparelho e eliminar quaisquer hostis que possam ter conseguido alguma de suas informações vitais. Perguntas?

 [Lt. Sunders] Meu sniper diz: "Só uma: Quando partimos?”

 [Sg. Montanha] Ei! Eu ia dizer isso!

 [Cabo Spitfire] "Só uma: Quando Partimos?”

 [Cabo Spitfire] Putz. Esquece. Ele postou primeiro!

 [Cpt. Spitfire] Eu concordo que só precisamos partir.

 [Ag. Cahuters] "Só precisamos saber quando partimos.”

 [Narrador] - Sério? Não querem saber em que território inimigo caiu o satélite? Nem que informações ele tinha? Qual o efetivo inimigo e a resistência que poderão enfrentar? Alvos civis?

 [Lt. Sunders] Okey... "Que informações o Satélite tinha?”

 [Narrador] - Isso é Confidencial, tenente. - respondeu o General.

 [Sg. Montanha] Viu? Para que perguntar coisas se não vão responder?

 [Cabo Spitfire] Eu fico com o "quando Partimos".

 [Cpt. Spitfire] Foi o Tenente Sunders quem falou, na verdade.

 [Ag. Cahuters] Para mim, chega de papo e mais ação.

 [Narrador] Vocês nem sabem se foi no Deserto, ou na Sibéria! Todos estão com uniforme de frio? Sério, pessoal. "Confidencial" dá uma informação... Que é uma missão importante acima do seu nível de segurança! Era para deixar intrigados!

 [Lt. Sunders] Imagino que o General Vai nos dar todas essas informações. Eu sou inferior hierárquico, então, só posso obedecer. Por isso, fico calado e aguardo.

 [Sg. Montanha] Eu também.

 [Cabo Spitfire] Eu também.

 [Cpt. Spitfire] Eu também.

 [Ag. Cahuters] Cahuters não é Militar. É da CIA. Não é subalterno do general... Mas fico calado e aguardo.

 [Narrador] O General Adams observa o quanto o grupo é calmo. Acredita que eles possuíam as habilidades necessárias para a missão, e este é o motivo de tanta confiança. Deixa uma pasta negra na mesa e diz: "O Avião parte em uma hora. Equipem-se da melhor forma". E aí? O que vocês vão fazer pela próxima hora?

 [Lt. Sunders] - O Tenente Sunders vai adquirir munição para sua "matadora-de-passarinho".

 [Sg. Montanha] - Meu Boina Verde está sempre preparado. Vou pegar munição para meu fuzil, e uma cartucheira extra.

 [Cabo Spitfire] - Vou pegar munição para minha Desert Eagle.

 [Cpt. Spitfire] - Minha Magnun 44 e uma arcáica porém confiável Tommy-gun são recarregadas.

 [Ag. Cahuters] - Eu verifico as balas na minha pistola camuflada na canela, e da minha arma pessoal.

 [Narrador] Só isso? Vocês não gastam mais do que, sei lá, cinco minutos com munição. Tem uns aos outros para conhecer, planos para elaborar... Outras coisas para comprar! A Pasta do general está em cima da mesa!

 [Lt. Sunders] Eu vou pegar... Corda. Vai que precisa escalar algo, não é?

 [Sg. Montanha] Boa! Eu pego uns quinze metros de corda também!

 [Cabo Spitfire] ranger do Texas podem transformar cordas em redes com facilidade. Vou pegar corda também.

 [Cpt. Spitfire] Eu fiz muitas armadilhas para Vietcongues em meus tempos de mocidade. Vou pegar corda.

 [Ag. Cahuters] Ah, já que todo mundo pegou, me dá corda também!

 [Narrador] Okey, todos têm armas, corda e munição. Falta meia hora para o avião partir para o ponto misterioso onde vocês devem resgatar um satélite e matar todo mundo. Ou vão para o avião conversar com o piloto sobre a rota, ou conversam entre vocês, ou Abrem a porra da pasta do general e descobrem mais sobre a missão!

 [Lt. Sunders] Meu Sniper sinistrão fica no canto, concentrando. Precisa ser frio e preciso para cumprir a missão!

 [Sg. Montanha] Meu Boina Verde grandalhão é fodão demais para falar com o resto da galera. Fica num canto aguardando a hora de agir.

 [Cabo Spitfire] O ranger texano saca uma gaita, e sopra uma única e singular nota, mostrando que ele é que é o fodão da sala!

 [Cpt. Spitfire] O velho Capitão ri e recosta no seu lado da sala, sabendo que aqueles garotos precisariam comer muito angú ainda para ter a fodacidade dele.

 [Ag. Cahuters] Meu agente da CIA saca outro cigarro. Ironiza consigo mesmo como aquele bando estava vinculado ás forças armadas enquanto ele era tão fodão que faria o que quisesse.

 [Narrador] Certo. Passam-se meia hora, e vocês todos, em silêncio, ficam... "se achando"... Literalmente. Finalmente toca o sinal e todos partem para o transporte: Um bombardeiro de modelo desconhecido por vocês, com carcaça antirradar. Ficam um olhando para o outro, vendo por uma portinhola o piloto e o copiloto. Não querem falar nada com eles?

 [Lt. Sunders] Entro sinistrão e vou para uma cadeira lá no fundo.

 [Sg. Montanha] Meu Boina Verde fica perto da porta, pois não teme a ação!

 [Cabo Spitfire] Meu ranger Texano esbarra no Boina Verde, mostrando que ele tem de aprender seu lugar.

 [Cpt. Spitfire] O capitão aguarda todos entrarem, e só então, como o oficial mais graduado, vai dar autorização para a missão começar.

 [Ag. Cahuters] Eu vou tomar o tempo de terminar meu cigarro, e vou sentar perto do Sniper, de preferência vendo o piloto e copiloto.

 [Narrador] O grupo de vocês, carregando armas e corda, voa por aproximadamente quatro horas. Sem bussola, vocês não sabem em que direção. Não há janelas no jato. Enfim, pelo comunicador interno o piloto diz: "Zona verde em cinco segundos! Todos de pé!”

 [Lt. Sunders] Meu sniper está sereno e frio como um atirador de elite tem de ser. Levanta-se e engatilha seu rifle.

 [Sg. Montanha] Meu Boina Verde coloca uma faca entre os dentes e um fuzil nas mãos. Está pronto para tudo.

 [Cabo Spitfire] Meu Ranger certifica-se de que pegou a corda, olha com confiança para seu irmão e sorri. Pois com ele na companhia, iriam sobreviver a qualquer ambiente inóspito.

 [Cpt. Spitfire] O velho capitão posiciona-se de prontidão. Mas sabe que aquele bando de "dente de leite" precisaria de missões como aquelas para se tornar homens de armas completos.

 [Ag. Cahuters] Eh, ele disse "Zona Verde"? E a gente está num avião... Isso não é Jargão de paraquedistas?

 [Narrador] Exato. Dado cinco segundos, portinholas do chão de cargas se abrem, e todos caem de cinco mil metros. Se tivessem estudado a missão iriam aproveitar aquela hora que tiveram conseguindo paraquedas. A fabulosa equipe de resposta emergencial morre ao esbarrar no chão. Grande jogo, gênios!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ligação para Carla

Quem me conhece sabe que eu sou do tipo que guardo rancor. Por isso, hoje de manhã fui forçado a rever o primeiro telefonema que recebi em 2008. Um telefonema para Carla.

"Quem é Carla", você pergunta? Alguém que possui uma amiga sem-noção em Recife.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Palhares - AR-Meng

 A Mina decidiu inovar. O presidente deve ter lido numa daquelas revistas de negócios (ou numa revista de bordo das empresas aéreas durante suas viagens de negócios) sobre o Misbruik, o super-sistema de controle administrativo holandês, classificado por aquela conceituadíssima revista de bordo como a melhor ferramenta para administrar uma mina. Realmente, existiam funcionalidades nela desde controle da rotina de depreciação das brocas e perfuratrizes até atas de reuniões da COMI para debates sobre o açúcar. Obviamente passando por contagens de fotorabixos e outras coisas.

 Infelizmente, a Holanda não é o Brasil. A realidade legal e trabalhista não é a mesma naquelas cercanias, e muitas sub-rotinas do Misbruik não estavam dando certo em nossa realidade. Temos nossa linda carga tributária, que o Misbruik não conseguia acreditar e processar. Temos certas libertinagens de RH que os funcionários holandeses - permitidos legalmente de consumir drogas em cafés - acham exacerbado.

Solução? O AR-MENG.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Prachedes - quase deu saudades do Palhares

Olá.

Algum tempo não escrevo, não é?

Não, não fui demitido (embora tenha perdido uma oportunidade de... deixa para outra estória). Estou no mesmo lugar que vocês se lembram. Ainda na mina, ainda ralando, ainda penando com nossa grande engrenagem corporativa, emperrada por uma roda dentada com dentes demais... A roda dentada chamada Palhares.

Sei que ele sendo nomeado como meu arqui-inimigo era meio que natural. Mas da mesma forma que quando o Coringa está prezo no Asilo Arkham o Batman precisa combater o Pinguin ou o Charada, quero apresentá-los ao senhor Prachedes.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os PJs: A formação do Grupo

Mirumoto Nobunada. Tholen da Torre do Martelo. Hellen'ae Mooredriff. Yuuhi Midori.

Meliny
Por que Meliny? Bem, a facilidade que eu tenho em junta-los por melhor domínio do cenário. Um mundo de fantasia medieval, com um "inferno" bem explorado em "O Demônio interior II" e "Mystara: princesa Succubus", com um influente reino oriental, com conflitos entre rigorosos samurais e misteriosos seres com poderes absurdos. 
Particularmente, ando trabalhando bastante no modesto reino Doravânia, que é coincidentemente o mais próximo do orientalíssimo Wen-ha. 
CONSIDERAÇÔES::
Não só sistemas, como cenários diferentes marcam os quatro personagens. Curiosamente, Hellen e Tholen tem muito em comum. De campanhas alternadas em Forgotten. Decidi que havia uma ligação anterior aos dois. Os demais PJs dos outros colegas ainda existem... De forma "fusionada (como Nindrile) e etc. Outros, podem ser ajustado ao comportamento dos outros. Midori agiria exatamente como Faelar uma vez ajustado ao grupo.
 Hellen tem um segredo... Bem, não para quem jogou comigo ou acompanhou o diário. E também não para quem pega as não tão sutis pistas. Mas quero apresentá-la ao longo de uma série de contos. Partindo do princípio que ela viajou com o Flagelo de Vorbyx...


 Ah, sim. Alguns nomes tive que mudar por "direitos autorais. Nobunaga tornou-se Geen Nobunaga, que seria o equivalente ao clã Dragão de Rokugan (com o bônus de ser a família imperial no tempo do conto). E Não mais Tholen poderá ser chamado de "Flagelo de Vorbyx", uma vez deixado Faerum.
 O grupo de Nobunaga anterior permanece. Alguns nomes mudarão; outros se verão como mais próximos (Hida Fuji e Moto Lee são ambos adequaddos ao clã Tsé, enquanto a divina Shiba Maya seria uma Shorian inegável). Mas vou pincelando esse passado ajustado ao longo da série. 

Sem mais... que comece a loucura!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Conto – A Queda de Icátia – por um cigano

- Deixa eu lhe contar da queda de Icátia. – fala Icrino, virando um copo. – Nossa história ainda existe, mas não em livro, ou papiro. Ou sequer em Monumentos. Estou vendo você aí, jovem Bardo. Vai escrever?

- Eh… Não senhor. – fala o mais novo do grupo.

Icrino debruça-se no tronco que fazia vezes de mesa. Enxuga seu longo bigode negro na camisa de seda bufante, tirando aquilo que não bebeu da caneca oferecida pelos dois anões do grupo. O Cigano lembra que eles falaram o nome de um templo de alguma coisa… Um deus ou um mago que apenas os mais obscuros ouviram falar. Mas eles precisavam de um guia para os arredores da aldeia de Lhentagar e o Cigano conhecia as trilhas e, bem, queria estar em qualquer outro lugar longe de Genesa.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Quarto Assombrado

O Capitão Afrânio Gusmão já havia visto horrores de sua profissão, em ambos os lados da lei. Mas nada como o cômodo da sua nova casa.

Era um estúdio do antigo morador, um colega que ele matou...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Flagelo de Vorbyx





http://flagelodevorbyx.blogspot.com.br/

Nova desventura RPGística. Meu personagem na atual campanha de RPG ambientada em Faerum (Forgottem Realms) e suas cartas a um fictício Mestre Castelão de sua cidade-estado de origem. Em breve, o Forte das Armas pronto para ser usado em seus cenários!

  • Acompanhe Tholen da Torre do Martelo em suas andanças pelo Mar da Lua e a Terra dos Vales, em Faerum.
  • Conheça o Forte das Armas, sua fortaleza natal

  • E não leve para o pessoal. Ele tem Carisma 6...

terça-feira, 22 de maio de 2012

¡Tequila!

Comemorei meu aniversário num restaurante mexicano E em nome da comemoração,
ganhei do estabelecimento um Tequila Shot. 


Para quem não conhece:
Recebe-se um pires com sal, uma rodela de limão, e um copo de Tequila. Você deve, nesta ordem: Cheirar o sal, virar de vez a
tequila na calça, e pingar o limão no olho.

...

Não, não é verdade. Mas aqueles que só lêem pedaços de meu texto terão uma surpresa divertida quando forem tomar o Shot.

...

Na verdade, lambe-se o sal, e rapidamente vira a Tequila (para dentro... E pela boca, engolindo-a! Não engula o copo) e enfim, morde o limão.

Eu não sou beberrão nem mesmo especialista nisso, mas observei aqueles ousados malabaristas de itens de cozinha. Imagino que essa tradição foi desenvolvida por solteirões que um dia encontraram-se na situação que tudo o que tinha na geladeira era sal, limão e tequila. E não em quantidade suficiente para fazer uma Margarita.

A tequila no México é o equivalente à cachaça no Brasil. Bebida artesanal, melhor trabalhada para a exportação, vira um dos folclóricos símbolos da pátria-mãe. Suas misturas são internacionalmente conhecidas – A Margarita no México, e a Caipirinha no Brasil. Dito isso, informo que não tenho nada contra a bebida per si.

O "shot" que me intriga.

 Em minha vida boêmia de ir comprar sushi ou Fajitas para viagem e comer sozinho em casa, reparei nos foliões das Tequila Shot's. Tem os que bebem a seco, tem os que vão na opção "limpa a despensa", e acompanha o limão e o sal... ou o bicarbonato de sódio. Existe toda a variação de níveis de praticantes: desde o bogodón, um sujeito barburu com um queixo quadrado e braços grossos como as minhas coxas, que bebe, arrota e mostra como é um talentoso engolidor de alcool e sal, e a mocinha universitária bonitinha e arrumada, estimuladas pelos acompanhantes com segundas intenções, que faz caretas a mil e obriga-se quase a ponto de bala para engolir a água ardente sem cuspir no bratender ou no garção. 

 Todos recebem a mesma saudação. A exata mesma que eu (intermediário entre os dois) tive em meu aniversário - claro que não ia deixar uma prenda gratuita passar sem apreciá-la – Aqueles que o observam aplaudem. Comemoram. Urram seu nome como o de um guerreiro que fez a mais fantástica das façanhas em Valhalha. 

Ocorreu-me: que patético. A loirinha que se cagou toda teve o mesmo prêmio do Bigodón gargarejador de ácido, a despeito de suas performances dispares. O que comemoravam então? A capacidade de deglutir? Vigor para não ficar bêbado demais para morder o limão depois? a capacidade financeira de desembolsar o valor de uma tequila? 

 

Eu vi uma coisa parecida ocorrer com minha pequena Vicky. Eu decidi que tinha de ensiná-la a sentar. Para isso, contei com a ajuda de Bruce, profissional na manobra, treinado no Rio de Janeiro...

... São dois dos meus cães, para quem não entendeu.

 

Eu repetia o gesto e o comando para ela que fazia a Bruce. Quando ele recolhia-se às nádegas, ganhava uma prenda, algo que representava status e encorajamento social positivo. Vicky, no começo, ficava consternada por não receber a mesma prenda do colega. Tentava abocanhar o biscoito, eu a impedia, repetia o gesto e dizia: "senta". Ela, angustiada e confusa, sacudia-se, corria ao redor, olhava com seus olhinhos tristes aquele cruel dono que não a deixava comer o biscouto. E enfim, talvez na "tentativa-e-erro", sentou-se.

 

Eu aplaudi, fiz carinho, e dei a ela a prenda. Ela ficou super-feliz... Garanto que não foi por ter se sentado, e sim pela satisfação social de ganhar afago e guloseimas. Com algumas repetições, a minha cachorrinha aprendeu que se alguém pedir para ela sentar, e ela obedecer, ganha o afago e o biscoito. Até dar a patinha ela aprendeu nessa mesma premissa. 

A tequila não é uma bebida ruim. Mas tomá-la em Shot joga-a na garganta, tirando o paladar da equação. Imagino que tenha pessoas que queiram só ficar bêbados, e esses devem tomar shots sozinhos... Mas o ato de beber com sal e limão não é - pelo menos nas primeiras horas da noite - uma grande proeza de habilidades manuais, e sim uma busca de guloseimas sociais, que é seus amigos e circunstantes comemorar tua coragem de beber em um bar. 

 Será que eu consigo ensinar Vicky a tomar tequila?

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Ser Mestre é padecer no paraíso - III" -


"Ser Mestre é padecer no paraíso - III"

Quando o personagem é bom demais para o cenário!



- Okey, o grupo começa em uma Taberna.

- Não!

- Eh... Como assim?

- Eu sou Caulyflor, o Veggan. Tenho votos de pureza para meu senhor, o Deus Verde. Não me corromperia indo a uma Taberna beber. 
- Você não precisa beber. Tem alimento e ... 

- Duvido que um estabelecimento plebeu tenha recursos para uma alimentação digna. 
- Pelo menos, vá pelo companheirismo. Seus colegas estão lá... Mesmo o Paladino e o Clérigo!

- Minha presença indicaria tolerância a um antro de bebuns.

- Certo... Onde estaria Caulyflor então?

- Num templo botânico ao Deus Verde.

- Esta é uma cidade nos recôncavos afastados do reino. O Deus Verde nem mesmo é conhecido. Mas na Taverna...

- Esqueça a taverna. Vou buscar uma região mais pura da natureza nos arredores da cidade.

- Aff... Bem, Vocês estão num lago de águas límpidas nos arredores da cidade de Yngarth. O sol é convidativo a todos e...

- Porque eles estão aqui?

- Porque você não aceita estar em uma taverna.

- Mas se eu me recolho a orar ao Deus Verde, preciso de total paz e silêncio. Porque eles não vão para a taverna, que é mais apropriado?

- >ahf< certo. Vocês partem para a Taverna, deixando Caulyflor solitário na margem do lago. Chego já a vocês. Antes, algo em especial que queira fazer, Caulyflor?

- Apenas buscando a paz de espírito.

- Certo. Você buscava a paz de espírito quando ouve um barulho.

- Tento ignorar.

- Eh... Em um mundo medieval, isso é suicídio. Pode ser um assassino esgueirando-se pelas suas costas...

- Fazendo tanto barulho assim?

- É um velho quase desmaiando. Ele tenta a todo o custo alcançar a cidade.

- Caulyflor deseja a ele boa sorte em sua missão.

- Como? Não cai ajudar a ele?

- O Deus Verde é true Neutral. Acha que "o que tiver de ser, será"!

- O velho cai no chão, quase morrendo, e suplica sua ajuda.

- Eu ignoro.

- Certo... Ele rasteja na direção da taverna. Guardo a ação para vocês... Não quer mesmo fazer nada?

- Não. Encontrarei a paz de espírito.

- Certo, então vou separar vocês e passar a missão para seu grupo, okey?

- Tudo bem.

(alguns minutos depois)

- Você vê seu grupo, com uma mochila que pertencia ao velho, na estrada marchando rumo ao sul, em disparada. Curiosamente, eles não tiveram grandes vontades de convocá-lo... Eu me questiono o Porquê...

- Se eu não fui convocado, não era para ser.

- Nem ao menos buscará a Taverna para saber o que houve com o velho e seu grupo?

- Posso deduzir que eles receberam uma missão do velho e partiram.


- Okey, isso é meta-jogo. Tá reclamando do clichê? Esta é a primeira aventura! Tenho que começar de algum ponto! Você já estaria meio-caminho de tudo se ficasse na Taverna cinco minutinhos.

- Não, eu sei distanciar-me do meu personagem, e sei interpretar perfeitamente o que ele faz. Por isso, mantenho-me fiel ao que prega o Deus Verde! 

- Okey, você ouve uma voz...

- Eu a ignoro. 

- Impossível. É uma voz no interior de sua mente.

- Na minha mente?  

- Sim, ela diz: "Caulyflor, sou eu, o Deus Verde! O reino está em perigo e você será necessário para debandar um grande mal!"

- Ignoro. 

- O... Como é? Vai ignorar o seu Deus?!?

- A filosofia dele é: "o que tiver de ser, será". Ele não interfiriria diretamente em assuntos mortais. Ou isso é ação de um telepata tentando me corromper, ou é fruto de esquisofrenia brotando em mim. E ambos são combatidos com uma jornada de auto-conhecimento para o âmago de meu ser, em posição de lótus, encarando o lago. 

- Eh... O Deus Verde Insiste. "Cauliflor, o Veggan! Eu não faria uma exceção se não fosse importante! Siga até a Taverna e aprenda sobre o grande mal que paira sobre o reino, ou eu o negarei e tomarei seus poderes!"

- Agora tenho CERTEZA que não é o Deus Verde. Ele não é chantagista e vingativo. Fico ainda mais convicto ignorando-o. 

- Certo. Você... eh... Faz uma viagem de auto-descobrimento e encontra a solução: Ir à Taverna e fazer a vontade da voz.

- Hmm... Isso não me parece certo. Meus próprios pensamentos não são confiáveis no momento se eu estiver mesmo esquisofrênico. Eu ignoro essa epifanía. 

- Bem, certo. Vou seguir a aventura com o resto do grupo.

- Okey. E eu sigo em minha dedicação Veggan ao Deus Verde. 

- A propósito: Um assassino barulhento atacou por suas costas e o matou, roubando todos os seus pertences. Bom jogo!

"Ser Mestre é padecer no paraíso - II"


- Eis que com a batalha encerrada, vocês têm de escolher um dos dois caminhos, direita ou esquerda, da Dungeon dos Uivos perdidos.

 - Eu quero ir atrás do vilão! 
- Eu imaginei... Mas ele estava voando e vocês não voam. 
- Eu vou lançar um encantamento de levitação para voar! 
- Você tinha sete encantamentos de levitação. Usou para levantar as rochas que obstruíam o caminho da caverna e depois para
levitar as rochas para arremessar nos vilões. 
- Então... Só usei duas! 
- Eram três rochas que você levitou na porta. Depois, mais quatro rochas para arremessar no vilão.  
- Mas meu encantamento atinge múltiplos alvos! 
- Não, não atinge. 
- Quem disse?
 - Bem, todas as mídias conhecidas pelo universo, o livro de regras, a lógica... Mas o mais importante desses todos: O narrador.
- Mestre... Olhe a pressão!
- Okey... vou me acalmar. Não quero voltar para a clínica. 
- Mas eu ainda acho que deveria ter mais feitiços de levitação. 
- Foram sete rochas! Gastou sete feitiços!
- Mas as quatro que eu levitei para jogar nos bichos no encontro aleatório não tive oportunidade de jogar!
 - Claro! Porque você gastou quatro turnos para lançar o feitiço. Ao invés de lançar em uma e depois arremessá-la contra um alvo e só depois partir para outro, você ficou levitando todas as rochas que podia! 
- Mestre...
- ... E ainda queria levantar CINCO! 
- Olha a pressão!
- ... E se você se recordar, eram só três os vilões.
- Tá! Ele não tem mais magias de levitação! Ficou defeso isso!
- Bom.
- Hmp... Eu tinha um feitiço de mover pedras. Poderia ter movido pedras se eu quisesse...
- Galera, peguem leve com o narrador! A saúde dele está debilitada.
- Certo. Onde estamos mesmo? Na encruzilhada... 
- Ainda? Estamos nessa encruzilhada faz meia hora!
 - Por mim eu já estava em casa, mas para vencer a encruzilhada, vocês tem de optar por ir pela direita ou pela esquerda.
- Se acabaram meus feitiços de levitação, quais me restam? 
- Bem... Os de transformações infinitas.
- E quantas me restam? 
- São infinitas! Nunca acabam.
- Beleza! Vou me transformar num rato! 
- Hmm... boa! Você tem os sentidos de um rato agora. Sente pelo olfato que o caminho da esquerda é o mais usado.
- Ei! Eu não disse que ia fazer isso!
 - Eh... Tá... Mas você sente isso.
- Agora me transformo num rinoceronte!
 - Hãã... por quê?
- Porque rinoceronte é melhor para a briga que um rato! 
- Não tem briga agora.
- A-ha! "Agora"! Quer dizer que terá briga mais na frente! Vire um rinoceronte mesmo!
 - "Uff" certo. Você se transformou num rinoceronte.
- Ele pode me ajudar a ir atrás do vilão que fugiu voando? 
- Olha, em off, mas valendo aqui: O vilão que fugiu ultrapassa a velocidade do som e tem inúmeros esconderijos pelo mundo. E em on, eu pretendo usar mais á frente na campanha. Já o botão de autodestruição, que está na passagem da esquerda, tem um timer que está perigosamente perto do fim, que precisa ser apertado agora. 
- Como vamos confiar que a Esquerda é a saída? 
- O rato farejou.
- Mas ele é um rinoceronte. Ele nunca se destransformou. ratos não falam e Rinocerontes não farejam!
 - Eu estou dizendo!
- Mas foi em off. Não vale. 
- Ah, lembrei de uma coisa. Tem um mapa.
- Um mapa?
- Sim, na parede. Mostra do lado esquerdo um caminho reto para uma sala escrita "sala do botão de autodestruição", e ha várias outras salas escritas "armadilha mortal" "Caminho inútil" e "morte instantânea"!
- Eu vou me transformar numa ave que possa voar e ir atrás do vilão. 
- Okey... qual ave?
- Quais aves eu posso me transformar? 
- Qualquer ave que exista na nossa fauna.
- Alguma delas voa com pessoas adultas? 
- Não. Não existe isso.
- Posso me transformar numa versão maior de uma ave, o bastante para voar com ele? 
- Eu já pedi que esquecesse o vilão!
- Mas o cara vai ser uma ameaça em longo prazo! Você falou!
 - Mas foi em OFF!
- E daí? É RPG! Não somos limitados a ir para a direita ou para a esquerda! Quero voar atrás do cara! 
- Okey, você pode. mas não pode carregar o seu colega.
- Mas minhas transformações são infinitas! 
- ...Mas não ilimitadas!
- Posso me transformar em um dragão?
 - Não, você não pode. Dragões não existem.
- Mas enfrentamos um ontem!
 - Foi num cenário de fantasia, onde dragões existem! E COM OUTRO MESTRE!
- Mas já mata seu argumento que dragões não existem.
 - Quer saber? Querem ir atrás do vilão? Ele surge aí. Ele esqueceu as chaves do esconderijo secreto e voltou para pegá-las! Eis sua chance de bater nele e poder seguir para a passagem da esquerda!
- Ué? Não queria poupá-lo para usar depois?
- Mudei de idéia.
- Mas e a campanha?
- Digo que ele era peão de outro, um irmão gêmeo que vai seguir com os planos de onde o irmão parou.
- Bem, agora vou matar ele.
- Peraí... melhor capturarmos para usarmos contra o irmão gêmeo dele!
- AIMEUPAI! Vocês não sabem do irmão!
- Como não? Você acabou de falar! 
- FOI EM OFF!
- Mestre... olha a pressão!
- Eu tô me enchendo com esses "olha a pressão"! Seu personagem tá aí faz horas e não fez nada! Entra no jogo!
- Ih, sobrou para mim foi?
- Vou me transformar numa cafeteira! 
- Eh, o que?
- Transformações infinitas me permite transformar em objetos inanimados. Eu me transformo numa cafeteira, e aí ele que quer prender o cara me arremessa nele.
 - E porque não se transforma numa arma de arremesso? Melhor: Agora aproveite que se transformou em um rinoceronte!
- Porque ele não esperaria ser atacado por uma cafeteira! 
- Eh, não posso argumentar com esta lógica.
- Eu arremesso a cafeteira.
 - Okey. Ele tomou uma... "cafeteirada" ... na cabeça. Isso o machuca e queima. Ele então percebe que está lá e começa a tentar voar de novo.
- Como ele sobreviveu à cafeteira? 
- É ... Um objeto pequeno e não-apropriado para ser usado como arma. Não é o suficiente para derrubar um vilão como esse.
- Mas cafeteira não são pequenas! E aquela do hospital? 
- Aquela ... Ah, é uma máquina de café! não uma cafeteira!
- Eu estava pensando naquela!
- Não, pense numa cafeteira industrial da Nestlé! Deve ser do tamanho de uma casa!
 - Você não pode mudar a ação após ter agido! E... Como é que você sabe que existe cafeteiras do tamanho de uma casa na Nestlé?
- Pô! É a NESTLÉ! Deve ser assim! 
 - Uma cafeteira do tamanho de uma casa aparece. O outro herói não consegue ergue-la, e chama a atenção do vilão. Ele vai embora.
- Eu sigo. 
- Ele voa e... Okey, ele decidiu fugir a pé. Está a seu alcance.
- Eu volto para ver a encruzilhada de novo. 
- MAS ... MAS... 
- Mestre... olha a pressão...
- Okey. Voltando à encruzilhada... 
- Eu me transformo em um clone. 
- Eh... Sei que vou me arrepender de perguntar, mas porque um clone?
- Eu tenho um plano. E eu devo poder me transformar em um clone, ou não? 
- Poder pode... Mas clone de que?
- De... Mim... Mesmo! 
- Mas você já é você mesmo!
- Mas quero virar um clone meu! 
- ooookey. Aos olhos de vocês o mago transformista volta ao normal, mas na verdade, ele é um clone de si mesmo.
- Legal! Agora sou duas pessoas! 
- Hãã... não, não é não.
- Pense comigo: Se eu sou um clone meu quer dizer que há um "eu" de quem eu deveria ser clonado, logo, somos duas pessoas! 
- Mas não surge uma pessoa só porque
- Clone o seu clone infinitamente e você dá aquele golpe de Naruto!
 - Do que está falando? Eu não assisto. O que...
- Boa idéia! Clone a mim também que aí todos nós seremos um exército!
- Meu pai Eterno! Isso não vai funcionar!
- Só sabemos se tentarmos! 
- Okey, okey. Vocês tentam e não funciona. 
- Eu acho que ainda dá para perseguir aquele vilão fujão... 
- Galera... A montanha explodiu.
- Como?
 - Tô olhando meu relógio aqui e vi que a montanha explodiu. Vocês não detiveram o contador a tempo.
- Pera lá... a gente não passaria tanto tempo assim sem agir...
- Não passariam, mas passaram. 
- Qualé mestre. Aí é apelação! Não nos deu uma chance!
 - Ta certo... Foi só um, sei lá, um teaser do próximo filme-catástrofe que vai estreiar.
- É o 2012? 
- Deve ser. Não me importo mais.
- O 2012 não é porque já estreiou ontem.
- De onde veio a TV com esse teaser?
- Era onde mostrava o mapa... Ele dá refresh com teasers.

- Esse filme parece bom? 
- Eu juro que estava zoando quando falei... Mas , okey, é o melhor.
 A gente deveria assistir. 
- Como? Agora?
- Não tem uma cidade por perto?
- Sim, aquela que vai explodir se vocês não entrarem na passagem da esquerda, coisa de meio metro de vocês, e apertarem o botão de autodestruição!
- Acho que dá tempo... Tínhamos uma hora! 
- Sim, quando começou a partida! Isso inclui toda a palhaçada de jogar pedras com feitiço de levitação, perseguir o vilão, desistir de perseguir, o vilão chegar, transformar em uma cafeteira gigante, perseguir o vilão de novo, desistir da perseguição. Inclua aí o deslocamento até a cidade, e mais DUAS HORAS DE FILME!
- E os trailers.
- Sim... E os trailers.
- Sei não. Ainda acho que dá tempo. 
- Pessoal! Só o filme tem duas horas! O DOBRO do tempo que vocês acham que tinha!
- Nunca vamos saber se não tentar, não é?
 - Okey... Filme então. Vocês viajam uma hora inteira desde o coração do labirinto até o cinema da cidade... Mas dá tempo.
- Er, mestre... tá escorrendo sangue do seu nariz. 
- O filme é muito belo. Tem borboletas e flores coloridas para todo o lado.
- pessoal, ele tá com um olhar perdido.
- Daí começam as explosões, a adrenalina! O Mocinho e suas façanhas incríveis.
- Eu... vou ligar para a ambulância. 
- E aí chega o vilão do filme.
- Eu me transformo num alienígena!

"Ser Mestre é padecer no paraíso"

Baseados em eventos presenciados em PBEMs da vida.
Original: Outubro de 2005.

"Enfim os bravos cavaleiros seriam recebidos pelos reis se passassem pelos desafios que aguardavam atrás das portas. O místico do grupo adianta-se à porta e...”.

- EI! ei! - reclama o player que interpretava o Místico. - Meu personagem nunca adianta-se a nada.
- Bem... você quer que outro abra a porta?
- Não... serei eu! mas não "me adianto" a ela. 
- Mas como pretende abrir a porta então sem ir a ela?
- Eu vou à porta... mas não me adiantando! Meu personagem é um dos cinco magos da fabulosa ordem que eu inventei! Ele "caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a maçaneta"!

O Mestre balança a cabeça.

"O Místico caminha com toda a pompa, emite faísca da ponta de seus dedos, e enfim, gira a ..."

- Parôparô! - grita o tecnocrata arcano. - Não abra a maçaneta! É isso que os reis querem!
- Hã? - fala o mestre espantado.
- Os reis querem que passemos por esses desafios, então, há algo estranho...
- VOCÊS querem a audiência com os reis! Não eles com vocês!
- Está bem... Mas eu tive uma idéia: Eu tenho toque de energia e uma luva de pelo de urso albino bisurado. Eu uso a luva e Toque de energia para ouriçar os pelos à minha frente, enquanto aproveito e uso todas as minhas demais vantagens simultaneamente para parecer que estou mais à frente do que estava... então, é melhor eu abrir a porta.

- Okey... 

"O Místico ouve a teoria paranóica do Tecnocrata com"...

- Ei! ei! Meu místico não ouve teorias! 
- Eh... o problema é com a palavra "teoria"? Foi uma romanceada que eu...
- Não... é a palavra "ouvir" que não gosto.
- Eu não vi na sua ficha que ele seja surdo...
- Mas qualquer um "ouve". Ouvir é vulgar. Ele... (folea o dicionário) contempla! Isso. Seus sentidos são tão especiais que ele contempla com os ouvidos o que lhe é anunciado.

- Contemplar é com os olhos, porque... ah, Esquece...

"O Místico contempla a teoria do tecnocrata, que toma a liderança do grupo. Ele então..."

- Meu personagem pergunta "Ei! O que é porta?".

- Hã?

- Meu personagem é metaliano lembram? Ele nunca viu uma porta. Viaja no interior de naves vivas que usam válvulas entre compartimentos.

- Você deve ter visto pelo menos uma dúzia de portas entre esta cidade e a anterior. porque cismou nesta agora?

- Porque ele não conhece o mecanismo e precisa conhecer se vai viver nesta realidade ... por hora.

- Considerando que ele não tem "inculto", e possui Int divina, acho que mecanismos mecânicos simples sejam compreensíveis... ainda mais após o transplante de medula óssea que você procedeu ha pouco (e que não sei porque eu permiti)

- Mas olha que roleplay legal... ele desconhece a Porta!

- Okey dokey... 

"A Bondosa NPC do grupo (que eu não ouso tirar para alguém falar a coisa certa na hora certa) explicava para o Metaliano o que era uma porta, e nesse ínterin, o Tecnocrata gira a maçaneta e..."

- Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça pois com nossa missão de chegar ao fim dos desafios entraremos em contato com os reis negros que precisamos contatar para seguir à próxima etapa com a bênção de meu deus patrono jerimum e de toda a corte celestial do Monte Phyton não desistam nunca pelos poderes do Jerimum!!!Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça Não se afobem em proceder errado vingadores da justiça!

- Hãã... o que foi isso?

- Foi uma coisinha que meu paladino druida falou no meio-tempo em que o tecnocrata mexia o braço e o exato momento em que ele tocou na maçaneta.

- Ele respirou em algum momento?

- Não! Só se aparecesse algum NPC respeitoso que deveria nos dar alguma informação, aí ele daria um apelido maldoso como se quisesse perder o único aliado possível em todo o reino.

- Bem... Não... apareceu ninguém.

- Então, só posta o que ele falou...

- Ele é druida mesmo? eu nem lembrava.

- É sim... mas dedica-se mais ao seu cargo de paladino.

- Tá certo.

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo contemplado pelo místico..."

- Ei! ei! meu místico não contempla isso não!

- Mas... VOCÊ me corrigiu dizendo que seu místico não ouvia e sim contempla...

- Mas aquilo era para teorias absurdas! Verborréia de paladino são... (foleia o gibi do Garfield) "presenciados auditivamente!".

- ... e o que ele faz perante ofensas grosseiras à mãe que o pariu?

- Hein?

- Esquece...

"Prestes à abertura da porta pelo místico, enquanto o Metaliano aprendia o que era porta e o Paladino discursava velozmente, sendo presenciado auditivamente pelo místico... O Ladino do grupo encara o ato temerário do Tecnocrata"...

...¬¬...

- Ouviu "ladino"?

- Hã?

- O Tecnocrata está prestes a abrir uma porta sem verificar armadilhas.

- ... Eu tava distraído... o que houve?

- Isso que eu disse.

- Ah, tá... vou usar meus talentos ladinos ... para ficar invisível.

- Hã?

- Não! - grita o metaliano. - Eu vou ficar invisível antes dele...

- Tá... ficamos invisíveis.

- ... continuamos.

"O Tecnocrata começava a girar a maçaneta potencialmente perigosa e que se algum ladino checasse armadilhas e encontrasse alguma o mestre seria obrigado a dar XP de graça... e então..."

- Ei! para que essa pausa grande?

- Para caso alguém com talentos de ladinos queira interromper.

- Eu tenho talentos de ladinos, mas ... nhééé... fico na minha.

- Tem certeza que não quer por em prática seu "procurar armadilhas"?

- Eu checo! - fala o abaforado (sim, eu tb foleio revistas do Garfield) Metaliano. - Eu quero procurar armadilhas.

- Eh, mas você não sabe nem o que é porta!

- A NPC me explicou. Agora eu uso meu conhecimento de porta e minha inteligência metaliana para destrancar a porta.

- Bem, Como você não é ladino e a NPC é incapaz de falar tanta coisa em espaço de tempo quanto o Paladino Druida do Jerimum, se não encontrar é mais provável que seja porque você é incapaz de reconhecer uma armadilha, e não que não tenha armadilhas, entendido?

- Claro! - fala o metaliano orgulhoso.

- Hm.... Você não encontrou armadilhas.

- meu personagem fala pro Tecnocrata: "Com certeza absoluta não tem armadilhas nenhuma nessa porta"...

- "Ai!"... Bem, é isso que seu tecnocrata ouviu...

- Então... - fala o Player do tecnocrata. - Abro a porta de vez para não ouvir outro discurso do Paladino...

- Espera aí que eu quero falar mais...

- tarde demais, "Jerimum". - fala o mestre.

"O Tecnocrata abre de vez a porta e é atingido pela armadilha de dardos venenosos".

- Ah é... Fora essa aí... - resmunga o metaliano.

- Parôparô! - interrompe o tecnocrata. - Minha luva possui pelos eletrizados sensíveis a deslocamento de ar! Eu deveria perceber a vibração dos dardos e testar uma "Esquiva Matrix"!

- Eu quero usar meu Focus 9 em madeira para empenar a madeira dos dardos para não furá-lo.

- ô Metaliano... Foi uma ação muito rápida!

- Ah! Qualé! Eu coloquei Focus 9! Eu posso fazer TUDO com madeira! Até ganhar dela em velocidade!

- Hã... Meu ladino vai desarmar a armadilha!

- Tarde demais! Vejam o que aconteceu:

"Como a maçaneta era de metal, eliminou a eletricidade estática da luva do Tecnocrata que perde seu direito a testes de Esquiva Matrix. O Metaliano tenta envergar a madeira dos dardos, mas descobrem que eles são feitos de prata, e não possui focus em prata, o que é irônico para um Metaliano. O Tecnocrata, ferido, esbarra no Místico..."

- Ei! Meu místico nunca é esbarrado! Ele olha por cima dos ombros, e é tocado involuntariamente, numa panca muito legal.

"... como eu dizia, é ESBARRADO, mas ESBARRADO com gosto, sem nenhuma pompa ou direito de teste de pose 'nice guy', caindo numa poça de lama particularmente imunda, e contraindo uma verminose que lhe provoca diarréia instantânea! Digna de moleque subnutrido! O Paladino morde a língua e morre envenenado com o próprio veneno druida, e a NPC que servia de bom senso para os PJs ganha o bom-senso de sair de perto desse bando de malucos!"

Todos encaram o mestre nada amistoso, bufando como um cão furioso.

- Tá... e o que tinha depois da porta?

- Antes: Meu ladino procura armadilhas na porta!

sexta-feira, 23 de março de 2012

0 Pulo do Gato

Dentre os felinos o único que salta para trás é o gato. Ele e o tigre são primos. O tigre tinha a maior gana de comer o gato, mas não sabia saltar de nenhuma maneira. Pediu ao gato que lhe ensinasse. O gato ensinou-lhe todos os tipos de saltos. Pra frente, pro lado, enviesado, dar cambalhota no mesmo lugar, etc. O tigre aprendeu tudo direitinho e treinou bastante sempre visando comer o gato.
Um certo dia o gato estava distraído e o tigre pensou é hoje que ele vai pro papo. Se aproximou pela frente pra não ter escapatória. Na hora que deu o salto fatal o gato deu uma cambalhota para trás e escapou das garras do tigre. O tigre então reclamou: pô esse tu não me ensinaste...! E o gato respondeu: se tivesse te ensinado nessa hora eu estaria morto.
Daí surgiu então o fato que ninguém ensina o pulo do gato.

Fonte: Dicionário Urbano

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

... O que anda faltando á juventude

Hoje, na verdade, ha minutos atrás (08:54 de 10/11/11), fui ao banheiro da empresa. Lá, estavam dois senhores conversando. Eu lembro apenas de um, e não havia visto o outro. Ouvia sua voz, e a pessoa constatada respondia, então supus que estava em uma das cabines sanitárias.

Conversar em banheiro era estranho, ainda mais um na pia e o outro no vaso. Mas relevemos: 


Eu não estava prestando atenção no momento. Mas pelo que pude entender, alguém (filho de amigo ou parente, imagino) entrou numa briga durante uma festa e terminou até com perseguições em cidades no interior, com o protagonista escondido em uma velha fazenda e o perseguidor empreendendo rondas vingativas!


Arrependi-me de não ter prestado atenção... Parecia um ótimo filme de suspense!


Bem, a conversa foi longa... Eles já estavam conversando quando eu cheguei, procedi o ritual do "nº 2" e a higienização, e ainda contavam da história, pausando para seu juízo de moral.


Mas eles ganharam minha atenção com uma frase, dita pelo homem na pia quando seu companheiro encerrava a história:


- Isso tudo é falta de Jesus! Se ele estivesse na igreja, orando, ao invés de bebendo em festas, isso não teria acontecido!


Fiquei impressionado pela conclusão! Sob essa ótica, eu poderia dizer que também é falta de sexo com bisões albinos! Se o pobre desventurado estivesse fazendo sexo com um bisão albino ao invés de bebendo em festas e arranjando brigas, Também não precisaria estar foragido dos perigosos encrenqueiros!


Lavava as mãos e vislumbrei o segundo participante da saga. O seu companheiro comentarista permanecia no banheiro a divagar sobre o que saiu errado com a juventude para chegar nesse ponto. A juventude de hoje que, nas palavras dele, "ganha carros mas não ganha limites". 

Agora é culpa dos carros. 


Eu não sou de conversar em banheiros... Bem, de permanecer em um banheiro conversando. Mas lavei mais demoradamente ao perceber que o comentarista iria narrar uma parábola de sua conclusão:


- Um amigo meu, que é guarda municipal, mas é um bom e calmo sujeito cristão...


*

interrompo um segundo:
"mas"? Na voz passiva ficaria Um amigo meu, que é um bom e
calmo sujeito cristão, apesar de ser guarda municipal...

Por que é que um tem de ser excludente da outra? Não sabia que guardas municipais costumavam a ser malignos e estourados satanistas...

... segue.


*

- ... Bom e calmo sujeito cristão, abordou um jovem que estava fazendo alguma coisa errada. Ele falou: 'Cê sabe que é errado o que você fez aí'. O jovem disse: 'Sei. E daí'? 'Daí vou ter de aplicar uma multa'. 

*

Deduzi que a "coisa errada" era referente a trânsito, considerando que começou com
"dar carros e não dar limites" e cuja pena é uma multa. 

Imagine se o bom e calmo guarda municipal estava assistindo um jovem
fazendo sexo com bisão albino?


*

- 'daí vou ter de aplicar uma multa!'. O moleque disse: 'Pode dar. mas você não tem peito de ferro!'


Os dois fizeram cara de horror.


- Aí meu amigo respondeu: 'Não tenho, e você não tem também'.

Imagino um bom e calmo sujeito cristão aceitando esse duelo mexicano. 

Bem, não estava confortável lavando as mãos até os ossos, então saí e não vi o desenrolar da trama do bom e calmo guarda de cristo contra o moleque que tinha carro mas não tinha limite nem peito de ferro. 

Decidi compartilhar com vocês pelo assombro, não por crítica a religiões ou coisa assim. Parei ha algum tempo de escrever para o "politicamente incorreto". Mas admito que ando afastando Jesus (e bisões albinos) da minha vida. Senti isso porque hoje, antes de começarmos a atividade, rezamos o "Padre Nosso". Mas eu tinha assistido uma paródia de "de volta para o futuro" e estava com a música tema do Marty na cabeça. Posso jurar que encerrei a oração com:


"... mas não o deixeis cair em tentação


Mas livrai-nos do mal...


That's the Power of
Love!♪"


... E o sinal de cruz.